Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 26/04/2020
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2055 o número de idosos na população irá ultrapassar a quantidade de crianças. Diante disso, novas necessidades surgem com a expectativa de vida maior, como a inclusão dessa parcela mais velha no ensino superior. Entretanto, há entraves para a garantia do acesso a essa modalidade educacional devido a fatores políticos e sociais, que devem ser analisados.
Em primeira instância, cabe ressaltar que a negligência governamental é um ponto imperativo para a falta de acesso do público idoso ao ensino superior. De acordo com a Constituição de 1988, todos têm direito à educação e é o Estado o agente responsável por exercer a lei no âmbito prático. Todavia, quando o Governo deixa de promover políticas públicas que insira a parcela mais velha na pauta das questões educacionais, é evidente uma desarmonia com os direitos constitucionais. Nessa lógica, há um descaso demonstra uma falta de comprometimento com a população em geral, uma vez que a instituição deixa de atender as demandas de uma faixa etária da população pela qual a maioria dos indivíduos passarão, já que a quantidade de idosos é crescente, como apontado pelo IBGE.
Outrossim, os modelos sociais de vida impostos aos idosos podem gerar preconceito perante esses ao ingressarem no ensino superior. Consoante ao conceito sociológico de Émile Durkheim, filósofo alemão, os fatos sociais moldam a maneira de agir e de pensar da sociedade. Sob essa ótica, os fatos sociais (preconceitos enraizados) ficam no imaginário popular, sendo usados como modelos moralizantes de vida. Nessa perspectiva, os idosos são vistos no imaginário social como pessoas frágeis devido à idade e restritas a seus papéis domésticos de avós. No entanto, quando tal realidade é posta em cheque, há um estranhamento social ao lidar com a novidade de ver os idosos nas carteiras estudantis das faculdades. Esse preconceito, muitas vezes, pode gerar um desestímulo desses indivíduos e uma eventual evasão escolar por se acharem incapazes devido à idade.
Destarte, medidas são necessárias para aumentar a presença da parcela mais velha no ensino superior. Cabe ao Ministério da Educação elaborar um programa de incentivo ao ingresso do idoso (especialmente o de baixa renda) na faculdade. Essa política pública deve ser elaborada de modo a garantir não somente a vaga mas também a permanência dos idosos nas instituições educacionais por meio de auxílio financeiro e acompanhamento psicológico aos que necessitarem de tal recurso. Dessa forma, o fito é levar oportunidade aos idosos que querem estudar para construírem a própria autonomia e realizarem seus sonhos. Assim, portanto, os direitos da Magna Carta estarão garantidos na prática.