Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 26/04/2020
Numa pirâmide etária há informações sobre a idade e o sexo da população de um país. Notadamente, percebe-se, nas últimas décadas, uma mudança na estrutura dessa pirâmide, uma vez que o cume está mais avantajado e a base cada vez mais estreita. Desse modo, nota-se um processo de envelhecimento da população. Nessa perspectiva, urge o desafio para a inclusão do idoso no ensino superior. Assim, depreende-se a desvalorização do sistema educacional como um precursor para essa questão, além de notificar a falta de consonância entre o que está estabelecido na Constituição Cidadã para os mais velhos e a realidade.
A priori, o pedagogo Paulo Freire, no livro Autonomia da Pedagogia, elucidou sobre a importância de ler o mundo do outro, em uma análise que tange o contexto social, político e econômico da conjunção. À vista disso, ao ler o mundo do emblema que é a inserção do idoso no ensino superior, subtende-se que essa questão esbarra em um outro problema que é a desvalorização do sistema educacional, que expressa-se, principalmente, nos cortes de verbas públicas destinadas ao ensino superior, como consta a UNE- União Nacional dos Estudantes. Nessa lógica, não há como garantir a inserção do idoso nas universidades, se não há uma estrutura orgânica preparada para recebê-los.
Outrossim, a Constituição de 1988, por meio de seus artigos e dispositivos, expõe os direitos dos idosos, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-los. No entanto, ao analisar a realidade percebe-se o Enigma da Modernidade, do filósofo Henrique de Lima, o qual explicita, que apesar de a sociedade ser tão avançada em suas razões teóricas, é tão indigente em suas razões éticas. Nessa perspectiva, mesmo sendo estabelecida na Carta Magna que a parcela da população mais velha possuem direitos, sendo um desses, intuitivamente, o acesso ao ensino, essa narrativa, no que lhe concerne, não possui validade factual.
Logo, é fundamental que as ONGs- Organizações não Governamentais- desenvolvam palestras direcionadas ao Poder Público, com intuito de expor sobre a inclusão do idoso no ensino superior. Dessa maneira, é imprescindível convidar pedagogos para que clarifiquem essa questão. Ao evidenciarem, por sua vez, que essa problemática está entrelaçado com a falta de investimento, a fim de que os governantes não venham diminuir as verbas destinadas às universidades, mas sim endossa-los. Para tanto, é importante que o Poder Público desenvolva uma secretária no Ministério da Educação destinada à elaboração de medidas, como a supracitada, para a inserção do idoso no ensino superior. Dessa forma, mitigar-se-á esse desafio na sociedade pós-moderna.