Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 28/04/2020
O envelhecimento da população europeia tem sido destaque nos últimos anos, uma vez que permite observar um possível futuro para a população mundial. Em decorrência disso, os países da Europa têm adotado medidas que permitem a inclusão do idoso na sociedade. Entretanto, em países cuja popu-lação ainda se encontra na desaceleração demográfica, isto é, em início do envelhecimento, observa- -se a dificuldade de incluir o idoso no ensino superior e, por conseguinte, no mercado de trabalho. Esse fato revela um problema social, uma vez que evidencia tanto o despreparo do Estado com o envelhe-cimento da população, quanto o preconceito da sociedade na inclusão do idoso nas áreas sociais.
Em primeiro lugar, é necessária a compreensão das consequências do despreparo com a inversão da pirâmide etária. A partir do aumento da inserção da mulher no mercado de trabalho, bem como o maior acesso à educação e aos métodos contraceptivos, houve uma redução expressiva nas taxas de natali-dade. Esse fato somado ao aumento da expectativa de vida da população configurou um estágio demo- gráfico marcado pelo maior número de idosos na sociedade. Dessa forma, a mão de obra da sociedade passa a ser proveniente desse grupo etário, que sofre com a exclusão social no ensino superior e, assim, no mercado de trabalho. Esse cenário evidencia a ausência de políticas públicas que incluam o idoso no ensino superior, contradizendo o artigo sexto da Constituição de 1988, que afirma o direito de qualquer cidadão ao ensino e ao trabalho.
Outrossim, o preconceito da sociedade contra o idoso também evidencia um desafio na inclusão des-se grupo no ensino superior. Tal parcela etária sofre com a discriminação e com a marginalização ao serem vistos como incapazes de aprender novos assuntos. Nesse sentido, o preconceito enraizado na sociedade inviabiliza a entrada do idoso na esfera social, o que configura um exemplo de violência sim-bólica, conceito trabalhado pelo filósofo Pierre Bourdieu. Assim, a ideia trabalhada por esse filósofo evidencia a construção histórica por trás da discriminação com essa parcela da população e com tantas outras que também são marginalizadas.
Portanto, é evidente a dificuldade de incluir o idoso no ensino superior e em outras esferas sociais. Por isso, é necessário que o Poder Legislativo, auxiliado pelo MEC, promova o preparo da educação superior para essa faixa etária. Isso pode ser feito por meio da criação de cotas específicas para os ido-sos a fim de proporcionar maior inclusão desse grupo nas redes de ensino, uma vez que é um direito previsto pela Constituição. Ademais, também é necessário a ação da sociedade e ONG’s que promova a conscientização social e o combate ao preconceito contra o idoso a partir de campanhas publicitárias que enfatizem a importância de tal grupo para a sociedade que se encontrada em envelhecimento.