Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 11/05/2020
Para o pensador contemporâneo Hegel, o homem é o filho de seu tempo, e o homem pós-moderno não valoriza os seus idosos como a sociedade grega valorizava (as mais importantes funções administrativas eram exclusivamente realizadas por anciões). De forma que a inclusão do idoso no ensino superior esbarra na estigmatização social e nas insuficientes políticas públicas vigentes no Brasil do século XXI. Na passagem da Idade Média para a Moderna, além da ascensão da burguesia, houve o nascimento do capitalismo e, durante os séculos, seguintes as mudanças na forma de agir e de ver o mundo possuíam uma única função: consolidar o capitalismo como sistema econômico vigente. Dentro dessas mudanças, está a forma de valorização do homem, sendo a sabedoria que os idosos possuem não mais estimada, visto que, pelo viés capitalista, o único fator digno de enaltecimento é o trabalho. Essa idealização do trabalho é consolidada com a ascensão de Calvino, durante a Reforma Protestante, por meio da afirmação “quem não trabalha não deve comer e o trabalho é um dever”. A consequência do ideal capitalista calvinista é a estigmatização do ser idoso na sociedade brasileira, visto como um ser que não possui valor, pois não pode mais trabalhar e gerar lucro. Sendo essa visão deturpada do ancião um dos desafios para a inclusão dele no ensino superior. Além do fator histórico, a insuficiência das políticas vigentes é o que gera mais um desafio na inclusão do idoso no ensino superior. Isso ocorre, pois, as políticas públicas atuais não saem do plano burocrático, estando apenas presentes nas atas da câmara, inacessíveis para a população, que deveria usufruir. Sendo possível corroborar tal cenário por meio da inexistência de fiscalização das leis do Estatuto do Idoso. Logo é possível dizer que a vontade de incluir os idosos não está totalmente inexistente, porém, não é forte o suficiente para fazer com que as medidas saiam do papel e sejam postas em prática. Portanto, compete ao Estado promover a fiscalização das leis do Estatuto do Idoso. Essa ação deve ser feita por meio dos agentes municipais de cada estado da federação, uma vez que as instituições de ensino superior passem a ser cobradas diariamente, com o objetivo de se fazer cumprir o Estatuto e, dessa, forma superar os desafios para a inclusão do idoso no ensino superior no Brasil do século XXI.