Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 10/05/2020

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um ser se mobiliza com o problema do outro. Entretanto, quando se observa os desafios para a inclusão do idoso no ensino superior, no Brasil, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela falta de implantação dos direitos à educação, seja pela discriminação etária.

Em primeira análise, é indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a falta de implantação de medidas rompe essa harmonia, haja vista que os direitos à educação previstos no Estatuto do Idoso não são amplamente facilitados e promovidos pelas entidades e pelo governo. Assim, de acordo com pesquisas da Universidade de Brasília (UnB), os serviços existentes em instituições universitárias são insuficientes para atender toda a demanda/quantitativo.

Além disso, destaca-se a discriminação etária como impulsor do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que o ageísmo – preconceito baseado na idade – tem papel histórico, impedindo o avanço da educação superior para os idosos. Segundo o médico Thiago Póvoa da UnB, o preconceito dificulta o acesso, o que resulta na marginalização dessa parcela da população.

Portanto, é evidente que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor. Destarte, o Ministério da Educação em parceria com instituições de cursos superiores devem ampliar as diversas atividades para o público idoso, promovendo a efetiva implantação dos direitos conquistados por estes. Como já tido pelo pedagogo Paulo Freire, e educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos e geriatras, que discutam o combate a discriminação etária, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus/preconceitos para que não viva a realidade da sombra, assim como na alegoria da caverna de Platão.