Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 15/05/2020
Segundo o sociólogo britânico Thomas H. Marshall, a cidadania substantiva representa a expansão dos direitos sociais, civis e políticos para toda a população de uma nação. No entanto, ao analisar a dificuldade da inclusão do idoso no ensino superior no Brasil, nota-se, assim, um país ainda distante dessa visão de cidadania. Isso é decorrente de um Estado omisso, mas também do avanço do neoliberalismo no seio social.
Em primeiro lugar, apesar do Estatuto do Idoso assegurar o acesso dessa parcela da população ao ensino superior, nota-se uma realidade que ilegitima esse regulamento. Isso é fruto de um Estado omisso que propicia, por exemplos, cortes de verbas públicas nas faculdades, como aconteceu no ano passado, e, assim prejudica que essas de exercerem de forma total as suas funções sociais. Diante disso, o Poder Público reverbera o enigma da modernidade elucidado pelo filósofo Henrique de Lima, de que a civilização é tão avançada em suas razões teóricas, mas tão indigente em suas razões éticas. Ademais, esse cenário evidência o avanço dos ideais neoliberais no tecido social. Dado que a essência desse sistema é permitir a atuação do Estado Mínimo. Dessa forma, o geógrafo Milton Santos argumentava que neoliberalismo é a representação da globalização perversa, posto que essa permite que o governo enxuga a suas ações, com intuito de privilegiar o mercado financeiro. Consoante a isso, em um quadro em que há o anseio de maximizar o lucro em detrimento dos direitos humanos, nota-se, assim, a dificuldade do idoso adentrar no ensino superior.
Portanto, para mudar esse quadro, faz necessário que a mídia em parceria com as ONGs (Organização não governamentais) construam comerciais que conscientizem a população sobre a necessidade do idoso usufruir do seu direito de ter o acesso ao ensino superior. Para tanto, essas propagandas demonstrarão que é inaceitável que o Poder Público corte verbas das faculdades, pois essas exercem um bem social inestimável à sociedade. A fim de que, assim, os cidadãos venham pressione o governo a exercer a sua função social e, consequentemente, freia a ação do neoliberalismo. Diante disso, garantir-se-á a cidadania substantiva exposta por Thomas Marshall.