Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 12/07/2020
Embora a Constituição Federal de 1988 assegure o acesso à educação como direito de todos os cidadãos, percebe-se que, na atual realidade brasileira, não há o cumprimento dessa garantia, principalmente no que diz respeito à inclusão do idoso no ensino superior do país. Isso acontece devido às poucas vagas existentes destinada a esse setor e à falta de integração social.
Primeiramente, a ineficiência do Estado em aplicar leis que garantam o acesso pleno à educação restringe a cidadania dos indivíduos. Seja pela dificuldade em administrar recursos em um território de dimensões continentais, seja pela falta de interesse político em promover o desenvolvimento do acesso da população idosa ao Ensino Superior. Dados oficiais do governo indicam que o crescimento do número de pessoas acima dos sessenta anos aumentou 50% na última década, porém, em contrapartida, o número de vagas e de cursos de interesse da geração prateada não supriu essa demanda. Entretanto, possuindo o Brasil mais de 200 milhões de habitantes, as expectativas são pessimistas para os próximos anos caso não haja a intervenção necessária.
Ademais, a falta de integração dos idosos nas comunidades também é responsável pelo agravamento do problema. Segundo o Estatuto do Idoso, é dever do Estado, da sociedade e das famílias, garantirem que a terceira idade esteja em constante participação social, defendendo sua dignidade e bem-estar. Contudo, segundo a Revista Folha, o percentual de idosos nos asilos públicos aumentou cerca de 30% nos últimos cinco anos, comprovando que, embora estejam cada vez mais numerosos no território brasileiro, esse é o setor que mais sofre com o distanciamento social. Assim sendo, é inadmissível que essa problemática persista na realidade brasileira.
Dessa forma, pode-se perceber que o debate acerca da inclusão dos idosos no Ensino Superior é imprescindível para a construção de uma sociedade mais igualitária. Nessa lógica, é imperativo que o Ministério da Economia aliado ao Ministério da Educação, destinem verbas para o desenvolvimento de cursos que abranjam os interesses dos mais velhos, por meio da ampliação do número de vagas nas Universidades públicas e particulares, com o intuito de promover a ressocialização dessa parcela da sociedade. Além disso, é necessário que o Ministério da Educação em conjunto com as Universidades promovam diálogos abertos, através de palestras incentivadoras em seus ambientes, com a finalidade de comprovar que o Ensino Superior também é lugar para os idosos, a fim de diminuir a crescente presença das mentes prateadas nos asilos. Feito isso, a sociedade brasileira poderá caminhar para a completude da democracia no âmbito da educação e dos direitos sociais para todos os cidadãos.