Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 16/05/2020
A imposição de padrões rígidos de certo e errado e a busca por verdades absolutas impedem que parte da sociedade conviva com as diferenças. Essa visão etnocêntrica resulta em um pretensa superioridade capaz de causar exclusão social, como no caso da segregação de idosos no acesso ao ensino superior. Desse modo, o precário sistema educacional brasileiro, pautado na competitividade, como também o posicionamento do Estado diante desse infortúnio têm contribuído para esse cenário.
A princípio, nota-se que o ensino no Brasil é conteudista, nesse sentido, mecanizada. Essa forma de ensino, segundo o educador Paulo Freire, estimula apenas a competitividade entre os estudantes. Dessa forma, o conceito de cidadania e participação social deixa a desejar na formação educacional dos jovens brasileiros, os quais, ausentes de uma educação que estimule o pensamento crítico, acabam excluindo idosos dos seus grupos, pois, muitos adolescentes acreditam que pessoas mais velhas não conseguem compartilhar os mesmo ideais. Nessa perspectiva, esse preconceito acaba marginalizando esse grupo de pessoas, dificultando, assim, o interesse no ingresso em cursos superiores.
Em segundo plano, o posicionamento do Estado também cumpre papel relevante para o aumento das barreras encontradas por idosos no acesso à faculdades no Brasil, pois apesar de haver na Constituição Federal, de 1988, o direito ao ensino superior para todos, pessoas com mais de 65 anos encontram dificuldades no processo de ingressão nas instituições de graduação, tendo em vista que o processo seletivo é muito concorrido, a disparidade entre o conhecimento de adolescentes formandos do ensino médio e pessoas mais velhas é muito grande, dessa forma, já existe uma segregação no modelo adotado pelas faculdades na ocupação das vagas abertas, visto que a concorrência é ampla, desrespeitando, desse modo, os diferentes modelos de ensino gerados com passar dos anos.
Fica evidente, destarte, a necessidade que indivíduos e instituições públicas cooperem para mitigar as barreiras encontradas por idosos no acesso a cursos superiores. Para isso, o Ministério da Educação deverá, junto às escolas, desenvolver projetos educacionais nos ensinos infantil e médio, como a semana do respeito aos mais velhos, com estudo de casos e peças teatrais que possam conscientizar os jovens sobre a importância do ingresso de anciões em grupos sociais, acabando, desse jeito, com a segregação de idosos na sociedade, como também a criação de cotas para pessoas com mais de 65 anos, nivelando, desse modo, a concorrência entre os mais velhos.