Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 20/05/2020

Com o aumento da expectativa de vida da população brasileira para aproximadamente 75 anos, decorrente das mudanças na pirâmide demográfica do país, a população idosa tem passado por alterações em seu fluxo natural nas relações sociais. De acordo com o educador Rubem Alves: “não haverá borboletas, se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses”. Contrastando à oferta de vagas no ensino superior e o acesso da população de diversas faixas etárias, tem-se que, na atualidade, esse campo vem sendo restrito à população jovem, além disso, os processos educacionais não estão adaptados às mudanças na sociedade. Análogo a esses fatos, a necessidade da transformação no percurso educacional do ensino superior é uma prioridade para o Brasil.

Em primeiro lugar, a oferta do ensino superior no país foi se estendendo ao longo das décadas, com a abertura de novas vagas nas universidades públicas e também com a divulgação das mesmas nas instituições privadas, para os alunos do ensino médio, como incentivo à continuidade dos estudos. No país, não foram priorizadas as demais faixas etárias no quesito ensino superior. Nesse contexto, o educador Paulo Freire afirma que a educação sozinha não transforma a sociedade e sem ela, tampouco a sociedade muda, então se não houver seguimento dos estudos e que isso contemple todas as idades, o ensino estará incompleto e centrado num único público-alvo que é a população jovem.

Por outro lado, o estímulo aos indivíduos idosos de retomarem os estudos ou até mesmo iniciá-los e consequentemente alcançarem o sonho da vaga numa universidade, não tem sido praticado no país. Com a população vivendo por mais tempo atualmente, o indivíduo se aposenta numa idade que ainda  tem condições de continuar suas atividades laborais, então identifica ali uma oportunidade para continuar se aprimorando. Muitos idosos vêem na universidade, sua forma de melhorar de vida e continuar os estudos que não foram possíveis anteriormente, seja pela falta de condições financeiras, seja pela falta de tempo ao se dedicarem ao trabalho e família.

Portanto, medidas devem ser tomadas para proporcionar a inclusão dos idosos no ensino superior. Para tal, o governo, representado pelo Ministério da Educação, deve criar novas vagas junto às universidades públicas, através da criação de turmas especiais nos cursos superiores com maior demanda por esse perfil de estudante e do aumento de vagas para ingresso no ensino superior, a fim de possibilitar que o idoso tenha condições e possibilidades de ter acesso à educação, principalmente com a intenção de se ter uma carreira, seja em qualquer fase da vida, desse modo podendo realizar a metamorfose citada por Rubem Alves, para que essas transformações impliquem nas mudanças na educação.