Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 04/06/2020
Em 2019 o Congresso e o Senado promulgaram a Reforma da Previdência, ato legislativo que introduz várias mudanças nos regimes de aposentadoria de muitos brasileiros. Nesse sentido, muitos que pretendiam se aposentar mais cedo tiveram que reformular seus planejamentos e, em alguns casos, terão que lidar com o ensino superior para se atualizarem. Dessa forma, os desafios para a inclusão do idoso no ensino superior são diversos, mas é possível notar um papel especial das barreiras sociais e econômicas na problemática.
Em princípio, é notório que, infelizmente, a sociedade não presta um bom apoio aos idosos no que tange à inclusão destes no ensino superior. Milton Santos chama de “muros invisíveis” as barreiras sociais impostas a determinados grupos que, por conta delas, sofrem segregação. Nesse lanço, nota-se que os mais velhos sofrem com esses muros tanto ao serem barrados socialmente de ter uma nova educação de alto nível, quanto justamente por não conseguirem esse nível de graduação. Dessa maneira, é imperativo que hajam mudanças na sociedade quanto a isso.
Por outro lado, a situação econômica de muitos idosos é um fator alternativo que prejudica uma nova formação intelectual. O sociólogo Bauman dedicou sua vida para explicar que o mundo contemporâneo é muito dinâmico e “líquido” ao apresentar diversas instabilidades. Essa liquidez presente nas relações humanas atinge diversas áreas da vida, inclusive na econômica e educacional. Com isso, torna-se muito complexo, para uma pessoa de idade, mudar os planos de vida de forma brusca em busca de uma educação melhor. Em conclusão, é necessário que isso seja mudado.
Logo, medidas para mitigar os desafios até aqui abordados são imprescindíveis. Assim, é importante que o Ministério da Economia, em parceria com o Ministério da Educação, crie um programa, semelhante ao ProUni, que permita financiamento e até cubra o custeio completo do curso superior de idosos. Para isso, será criado um fundo público cujos recursos serão arrecadados por um imposto que incidiria diretamente em empresas que possuem poucos idosos como funcionários. Com tal medida, há a promoção de mais oferta de educação superior para os mais velhos e a diminuição das desigualdades. Destarte, parte desse fundo deve ser direcionado a campanhas publicitárias que busquem a conscientização da sociedade a respeito da importância do respeito aos idosos. Diante do exposto, será possível uma convivência mais justa e sem muros entre idosos e jovens.