Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 27/05/2020
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos o direito à educação e ao bem-estar social. Contudo, a dificuldade que idosos enfrentam para acessar universidades no Brasil, impossibilita que essa parcela da população desfrute desse direito universal na prática, seja pela passividade do Estado, seja pela postura capitalista de parte dos empresários. Nessa perspectiva, essas raízes do problema devem ser analisadas.
Inicialmente, é importante pontuar que a falta de ensino superior para idosos deriva da baixa atuação de setores governamentais na criação de mecanismos que incentivem esse acesso. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é o responsável pelo bem-estar da população, no entanto, no Brasil isso não ocorre. Devido a baixa atuação de autoridades, apesar do envelhecimento gradual da população brasileira, quem pertence a essa faixa etária não encontra facilidade para entrar na universidade, ao contrário de outras minorias, que, eventualmente, possuem cotas de acesso ao ensino superior. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura de passividade estatal.
Adicionalmente, é imperativo ressaltar o foco capitalista de parte dos empresários da educação como promotor do problema. De acordo com o pensamento marxista, priorizar o lucro em detrimento de questões humanas gera desequilíbrio social. Analogamente, ao enfatizar o público jovem em relação ao mais velho, as universidades particulares idealizam seus cursos com ênfase na parcela mais atrativa do mercado e fecham os olhos para uma minoria, o que contribui para a desarmonia social. Tudo isso retarda a solução do empecilho, já que esse pensamento egoísta colabora para o quadro deletério.
Portanto, medidas são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, para incentivar o acesso de idosos à universidade, o Ministéro da Educação deve, por meio de parceria com Poder Legislativo, criar cotas de acesso para essa faixa etária nas instituições públicas, com a garantia de 10 % das vagas de todos os cursos para quem tem mais de 60 anos. Ademais, as instituições privadas devem criar bolsas de estudo para idosos, por meio de incentivos fiscais, com o patrocínio do governo federal. Dessa forma, o Brasil poderá superar este obstáculo para a concretização de uma nação mais igualitária.