Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 01/06/2020

O livro O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway, retrata a história do experiente pescador Santiago, senhor humilde e alegre, que sonha em pescar um grande peixe. Entretanto, seu objetivo é negligenciado pelos outros moradores da vila, os quais veem ele como obsoleto e inconveniente. Fora da ficção, é nítida a indiferença, majoritariamente, com os idosos na sociedade, que se reflete também nos desafios para a inclusão deles no ensino superior. Nesse sentido, esse cenário distópico é fruto tanto do subjugo das vontades dos idosos por parte das famílias quanto da imperícia do Estado no fenômeno do envelhecimento da população.

Acerca disso, o jurista Thomas Humphrey Marshall afirma que a plena cidadania só é alcançada quando o indivíduo tem assegurado os direitos civis, sociais e políticos. No entanto, similar ao livro, a vontade dos idosos de ingressar no ensino superior é reprimida por seus familiares e amigo, tragicamente, devida à crença popular que eles seriam incapazes de aprender, como também acarretaria supostos problemas com o material de estudo e transporte. Logo, esse quadro configura-se como algo grave ante o direito de todos a uma educação de qualidade.

Por conseguinte, a imprudência dos governadores no acelerado envelhecimento do povo sem o acesso a educação pode acarretar sérios danos à sociedade. Comprova-se, assim, por dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alta dependência econômica dos idosos em relação aos jovens e aos adultos. Desse modo, em um futuro próximo, acarretará uma severa crise no sistema previdenciário, e que pode ser atenuado, por exemplo, pela renovação do mercado com o acesso dos idosos nas universidades. À vista disso, semelhante ao senhor Santiago, a participação dos idosos que desejam ingressar em faculdades e trabalhar na área é negada pelos governantes, sendo assim, algo grave para a sociedade.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse.  Urge que o Ministério da Educação , por recursos do Governo Federal, deve realizar um vestibular próprio para os idosos, por meio do contrato de profissionais que realizaram o exame e lecionam o conteúdo para os interessados. Dessa forma, os idosos receberam material gratuito, além do devido transporte à instituição em que foi aprovado. Espera-se, sob tal perspectiva, que a péssima conduta no tratamento dos idosos e os desafios para a inclusão deles no ensino superior sejam uma mazela passada na história, como também um fenômeno restrito à ficção.