Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 29/05/2020
A obra “Homem velho com a cabeça em suas mãos” de Van Gogh ilustra a angústia do processo de envelhecimento, tal processo é marcado pela marginalização do ancião após uma vida economicamente ativa. Nesse contexto, com o aumento da expectativa de vida, muitas pessoas decidem por buscar sua realização pessoal na terceira idade. No que se refere aos desafios para a inclusão dos mais velhos nas universidades, é importante ressaltar as limitações próprias da idade avançada, além do grande abismo entre as gerações, principalmente na questão tecnológica.
Em uma primeira análise, sob a ótica biológica, regiões responsáveis pelo conhecimento se deterioram ao longo dos anos, o que se revela como um grande entrave à presença de idosos no meio acadêmico. Isso porque as reduções na formação de sinapses nervosas implicam numa menor capacidade de retenção de informações. Nesse cenário, é preciso que a pessoa se esforce mais para aprender, contudo, apesar da maior dificuldade, esse público costuma ser mais resiliente, já que muitos estão na graduação por aspiração pessoal. Aristóteles, nesse sentido, afirmava que a excelência é um hábito, logo a terceira idade ao se esforçar e desenvolver suas conexões neurais, consegue superar as limitações biológicas próprias da idade avançada e, assim, garantir seu sucesso educacional.
Vale ainda ressaltar, ademais, que as faculdades estão migrando cada vez mais para o meio tecnológico. Sendo assim, os mais velhos precisão também se adaptar a essa realidade, o que exige uma dedicação extra para aprender a lidar com essas ferramentas. Nessa perspectiva, o idoso que realizar essa imersão estará se incluindo na atual sociedade computadorizada, o que tende a reduzir ainda mais seu isolamento social. De acordo com as pesquisas do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade de Informação, cerca de 58% das pessoas com mais de sessenta anos têm acesso à internet em seus celulares, o que indica que eles estão se acostumando com o novo panorama do século XXI. Logo, a margem entre as gerações fica mais estreita.
Torna-se evidente, portanto, que a terceira idade busca o ensino superior para realização de seus sonhos e, infelizmente, sofre com os desafios relacionados à degradação nervosa e as tecnologias atuais. Para reverter esse quadro, é preciso que o Ministério da Educação faça, em parceria com as Universidades, a oferta de cursos de ativação cognitiva, nas quais os cérebros dos idosos sejam estimulados e sua função de aprendizado otimizada. Por meio da contratação de pedagogos e psicólogos experientes no assunto, para que assim as barreiras biológicas sejam reduzidas, além da oferta de cursos de informática. Dessa maneira, construir-se-á um sociedade em que de fato o idoso se sinta incluido, sobretudo nas faculdades, e obras como de Van Gogh retratem apenas o passado.