Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 30/05/2020

No filme “Reflexões de um Liquidificador”, exibido pela plataforma Netflix, os protagonistas - idosos -, enfrentam grandes dificuldades ao tentar arrumar emprego, consertar a casa onde moram e conseguir dinheiro para sobreviverem. Analogamente, além desses desafios que são enfrentados por alguns idosos, há também entraves para a inclusão deles no ensino superior, tendo em vista que a maioria deles não concluiu o ensino fundamental ou médio e, também, não há inclusão,na maioria da vezes, da “terceira idade” na vida acadêmica.

Em uma primeira análise, é válido salientar que o direito à educação é assegurado pela Constituição Federal. Contudo, nota-se que não há o pleno exercício da lei ao observar que 42 % dos idosos não possuem ensino fundamental ou ensino médio completo, como afirmado pelo site Agência de Notícias. Esse infeliz cenário está fortemente relacionado ao fato de que, desde a infância, muitos idosos não eram estimulados por suas famílias a estudar - pois no passado o estudo não era visto como prioridade - e era perpetuada a ideia de que o trabalho era primordial. Com isso, muitos idosos cresceram sem concluir os estudos que, por conseguinte, os impossibilitaram de chegar à faculdade.

Ademais, é importante destacar que a “terceira idade” - termo dado a pessoas com mais de 60 anos - possui necessidades diferentes das outas faixas etárias que frequentam o ensino superior. Sendo assim, os idosos, na maior parte das vezes, acreditam que não serão “aceitos” em círculos sociais, visto que eles possuem necessidades diferentes dos demais - como dificuldades em entender determinados assuntos e lentidão - e, com assim, ainda no século XXI, está enraizada a ideia de que os idosos são menos capazes de adquirir conhecimentos, aprender novas habilidades e serem bons profissionais. Tal atitude é criticada pelo filósofo Emmanuel Levinas, que diz que uma sociedade justa deve respeitar alteridade dos seus membros visto que sua exclusão é uma forma de violência.

Portanto, medidas são necessárias para mudar o impasse. Sendo assim, é necessário que o Estado - setor responsável por zelar pelo coletivo e o Ministério da Educação, estimulem os idosos que não concluíram os estudos a voltar a estudar, por meio da criação de programas que visem a conclusão do ensino fundamental e ensino médio. Aliado a isso, é necessário que o Ministério da Educação e as mídias - responsável pela comunicação em massa - alertem os estudantes universitários, por meio da criação de campanhas - na faculdade, na internet e na televisão - a importância da inclusão dos idosos nos círculos sociais. Espera-se, com tais atitudes, que não haja mais desafios para inclusão do idoso no ensino superior.