Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 21/08/2020

A Negligência Banalizada

Modernidade Líquida, conceito desenvolvido por Zygmunt Bauman que demonstra a superficialidade e o individualismo contemporâneo, assim como, a desvalorização do idoso por parte da sociedade. Essa desvalorização cria intensos desafios à plena cidadania dos idosos, principalmente, quando relacionada ao acesso educacional superior a esse grupo etário. Entre os principais obstáculos tem-se o preconceito por parte da sociedade e a negligência governamental.

Em primeiro momento, é de suma importância ressaltar como o preconceito é um grande empecilho à inclusão de idosos no ensino superior. Deste modo, é possível inferir que, quando uma sociedade vê pessoas dessa faixa etária como irrelevantes ao progresso nacional, é propensa a submeter uma parcela importante da população ao descaso e a banalizar essa atitude hedionda. Segundo a filósofa Hannah Arendt, a banalização ocorre devido à alta frequência de determinado ato, nesse caso, o preconceito ao idoso o qual ocorre diariamente e muitas pessoas tratam como algo indiferente.

Em decorrência ao preconceito, observa-se a negligência governamental, visto que os governantes são o espelho da sociedade. Neste sentido, quando um governo não investe em medidas efetivas para a inclusão de idosos nas universidades, tais como, cursos de letramento digital e de materiais/métodos condizentes com a faixa etária, faz com que esse grupo enfrente sérios desafios. Essa ação pode ser vista como anticonstitucional, uma vez que o artigo 6º da Constituição Cidadã garante acesso à educação, direito nitidamente negligenciado a essa parcela populacional.

Nota-se, portanto, que o Brasil vive intensos desafios para a inclusão de idosos nas universidades. Todavia, medidas podem reverter esse processo. O MCTI, em parceria com o MEC, pode promover cursos de letramento digital nas universidades, por meio de aulas de informática voltadas aos idosos que desejam compreender melhor essa área e, dessa forma, eles poderão se sentir mais confortáveis para ingressar em uma graduação. Ademais, as escolas podem promover aulas interdisciplinares, com o intuito de minimizar o preconceito sobre esse grupo social. Somente a partir dessas ações será possível garantir a inclusão de idosos nas universidades e, por conseguinte, a valorização destes.