Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 05/06/2020
O filme “Uma lição de vida” retrata a história de um africano de 84 anos, que luta para receber educação básica e se alfabetizar, mas se depara com inúmeras dificuldades por conta da sua idade. Baseado em fatos reais, enfatiza-se o valor do estudo e do conhecimento na vida de uma pessoa, bem como os benefícios que a educação traz para o revigoramento físico e intelectual, sendo imprescindível a vida do cidadão. Contudo, existem impasses no ingresso do idoso ao ensino, em destaque ao superior, atrelados ao preconceito e à inoperância das estratégias estatais.
Convém salientar, primeiramente, os estereótipos estabelecidos na sociedade brasileira, correlacionando a terceira idade com incapacidade, devido às necessidades e peculiaridades físicas e mentais dos idosos. Visto que os acadêmicos das instituições universitárias são majoritariamente jovens, a população envelhecida fica exposta e vulnerável a discursos de ódio, discriminação e segregação. Afinal, como o renomado sociólogo Pierre Bordiau descreveu em sua tese, existe uma naturalização de dogmas e ideologias imposta por uma cultura dominante e uma rejeição a tudo aquilo que se difere dessa cultura.
Outrossim, não distante desse preconceito, está o Estado com a sua ineficiência em incluir o idoso no ensino superior. De acordo com o IBGE, a expectativa de vida dos brasileiros aumenta ano a ano, alcançando a marca de 76,3 anos, em 2018, ou seja, a tendência nas próximas décadas é de uma população idosa. Paralelamente, esses são a maioria com pouca ou sem escolarização, sendo imprescindível uma adaptação do Estado para atender a demanda. Sabe-se que existe escolas voltadas para adultos, como EJA, mas não há instituições que atendam especificamente esse grupo, com as suas necessidades auditivas, de visão, concentração, e não há incentivos e divulgação desses projetos, excluindo os mais velhos de um direito universal.
Nessa perspectiva, diante dos fatos supracitados, é necessário reivindicar pela inclusão do idoso no ensino superior. Cabe ao Governo Federal, em parceria ao Ministério da Educação, criar mecanismos atrativos de inserção da terceira geração na educação, como oficinais de manuseio tecnológico, em primeiro plano, e posteriormente, condições especiais e acessíveis para o ingresso nas universidades, como o investimento no sistema de cotas. Dessa forma, o direito constitucional à educação por todos será categórico no país.