Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 06/06/2020
Na obra pré-modernista, ‘Triste fim de Poliquarpo Quaresma’, do escritor Lima Barreto, o major Quaresma, grande admirador do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, fora da literatura, percebe-se que tal horizonte não mimetiza a realidade atual, visto que o núcleo brasileiro ainda enfrenta sérios problemas, dentre eles os desafios para inclusão dos idosos no ensino superior. Esse âmbito de iniquidade é fruto tanto da falta de leis quanto do silenciamento a nível pessoal.
Deve-se analisar, primeiramente, que a questão constitucional e sua aplicação é um fator determinante para problemática. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse sentido, consoante ao filósofo Aristóteles, a poética deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível constatar que, no Brasil, a falta de inclusão da população idosa rompe tal harmonia; haja vista que, embora esteja na Constituição o princípio da isonomia, no qual todos os indivíduos são iguais perante as leis, verifica-se um tangenciamento na questão, uma vez que se observa a exclusão dos idosos nas instituições de ensinos superiores. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
É vital evidenciar, ainda, que a ausência de integração dos grupos populacionais de idade encontra terreno fértil no silenciamento da sociedade. Acerca dessa assertiva, Habermas faz uma contribuição, que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob esse prisma, para que haja a inserção dessa parcela minoritária, porém significativa, é necessário discutir sobre. No entanto, constata-se certa lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, pois a comunidade educacional brasileira se mantém passiva e calada diante tal problematização, além do que, conforme o levantamento do Inep, em 2019, apenas 7.213 idosos estavam matriculados em alguma graduação. Nessa lógica, trazer à parte esse tema e debatê-lo, amplamente, aumentaria a chance de atuação nele.
Portanto, pela perspectiva de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada. Em vista disso, dessarte, o Poder Público, como instância máxima da administração executiva, juntamente com o Poder Legislativo, por meio de ações: leis mais amplas, projetos de bolsas especificas para essa parcela idosa e cotas nas universidades públicas, promover a inclusão dos idosos no cenário do ensino superior, para que, de tal forma, os anciões possam ser alcançados educacional mentes, visto que, a própria Carta Magna de 1988 assegura a todos os indivíduos o direito a formação educacional. Somente, assim, os ideais do major Quaresma poderão ser evidenciados na nação.