Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 12/07/2020
O Conselheiro Aires, personagem-autor da obra “Memória de Aires” do escritor Machado de Assis, reflete sobre a solidão do envelhecimento e conclui que esse é o destino dos velhos. Tal como na ficção, os idosos brasileiros possuem dificuldade para sua inclusão social, visto que, dentre outros fatores, enfrentam o desafio de ingressar no ensino superior, o qual lhes proporciona maior participação no desenvolvimento científico e econômico do país. Tais obstáculos são reflexo do preconceito de obsolescência atribuída aos anosos, bem como do despreparo das instituições de educação para receber essa parcela, o que reforça sua exclusão e deve ser superado.
Diante disso, é indubitável que a escassez de espaços de diálogo sobre os idosos e sua participação social, nas escolas, estejam entre as causas dessas problemáticas. Segundo Anísio Teixeira, intelectual brasileiro, as escolas são responsáveis pela mudança de atitudes. Nesse sentido, a falta de debate a respeito das capacidades cognitivas dos envelhecentes nas instituições de ensino, para pais e alunos, contribui para a manutenção do esteriótipo de obsolescência da terceira idade no corpo social. Esse preconceito frequentemente desestimula essa parcela populacional a buscar mais conhecimento nos cursos de graduação, o que amplia a sua exclusão do setor empregatício, uma vez que, sem as habilidades exigidas pelo mercado, como o conhecimento de informática, não são atrativos para contratação.
Outrossim, esse quadro é agravado pelo despreparo das instituições de ensino superior na recepção dos idosos. Nessa perspectiva, apesar de prevista pelo Estatuto do Idoso e por legislação específica, a oferta da educação básica e universitária a esse segmento ainda é bastante deficitária, já que não há no país ações de âmbito nacional que assegure tal inclusão, há apenas práticas pontuais, como a Universidade Aberta à Terceira Idade no estado de Santa Catarina. Isso demonstra o descaso público no fornecimento dos insumos necessários, a exemplo de livros e de computadores adaptados, para a permanência dos anosos na graduação.
Dessa forma, urge que o Estado brasileiro tome medidas diligentes que mitiguem os desafios para inserção dos idosos no ensino superior. Destarte, o Ministério da Educação deve introduzir o diálogo sobre a importância e as capacidades dos envelhecentes nas escolas, por meio de rodas de conversas e oficinas com profissionais de saúde e com os próprios idosos, a fim de desmistificar o preconceito contra essa parcela e de estimular as famílias a apoiarem seus anosos na buscar da educação superior. Por fim, o governo federal deve, mediante plano de investimento, fornecer os itens inclusivos da terceira idade nas universidades, tornando a exclusão referida por Aires ficção.