Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 02/09/2020
Segundo Albert Einstein, físico alemão, é mais fácil desintegrar um átomo a um preconceito. Á luz dessa ideia, infere-se que existe, hodiernamente, um estigma social em relação a inserção do idoso no meio acadêmico. Faz-se necessário examinar, portanto, como a baixa taxa de alfabetização de pessoas da terceira idade e como o ceticismo popular podem representar desafios para a inclusão do idoso no ensino superior.
Nesse contexto, verifica-se que o baixo nível de escolarização torna-se um dos principais fatores que dificultam a integração dos indivíduos de idade avançada às universidades. Essa lógica é comprovada pelo Mapa do Analfabetismo no Brasil, publicado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais, que mostra que metade do contingente de analfabetos é da faixa etária de maior idade. A partir desses dados constata-se que, pela pouca, ou nenhuma, frequência escolar, os idoso tem maior dificuldade em acompanhar as aulas, por conta da linguagem técnica e rebuscada do meio científico. Além disso, ficam em desvantagem ao ter que disputar uma vaga nas instituições de ensino superior com indivíduos mais jovens, estes, por sua vez, mais acostumados com o dialeto acadêmico. Logo, é necessário a adesão de medidas que promovam a equidade para que as pessoas, independente da idade, tenham acesso à graduação.
Somado a isso, a descrença popular é outro fator chave para a perpetuação da problemática atual. Acerca disso, é pertinente citar o caso de Carlos Augusto, noticiado pelo G1, que foi desencorajado pela família a cursar Arquitetura e Urbanismo aos 90 anos. Essa questão ocorre porque há na sociedade a erronia ideia de que a faculdade é destinada a pessoas jovens. É preciso, desse modo, orientar o pensamento coletivo a aceitar mais abertamente a inserção dos idoso nas faculdades.
Diante dos fatos analisados depreende-se, destarte, que a baixa escolaridade e o desapreço popular apresentam-se como desafios para a inclusão da terceira idade no ensino superior. Para amenizar o quadro, cabe ao Ministério da Educação proporcionar uma concorrência justa no vestibular por meio de cotas específicas, destinadas aos indivíduos dessa faixa etária, além de acompanhamento especial por intermédio de monitores em sala de aula. Em paralelo a isso, também é dever da família incentivar e oferecer apoio moral ao idoso que deseja ingressar em algum curso de graduação. Tais ações objetivam estimular a maior participação desse grupo etário na educação superior. Feito isso, o pensamento proposto por Einstein poderá ser contornado, e a universidade se tornará um ambiente de diversidade e aceitação.