Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 10/07/2020
Na obra “A Velhice” de Simone de Beauvoir, a autora discute a inutilidade e ignorância associadas ao idoso no campo social. De maneira análoga, apesar do livro ter sido publicado no século passado, tal imagem negativa do velho permanece intacta. No entanto, essa imagem está ligada, diretamente, à falta de políticas públicas e projetos que visem a equidade de qualidade e oportunidade no ensino superior direcionado ao idoso.
De acordo com o Censo da Educação Superior do INEP, em 2017, do total de 8,2 milhões de vagas disponíveis em universidades no país, cerca de 8000 eram ocupadas por idosos, tendo um crescimento de 46,3% em comparação com os anos anteriores. Entretanto, apesar do grande crescimento percentual, a questão quantitativa ainda parece insignificante em meio aos milhões totais, cabendo, assim, intervenções para que haja devida acessibilidade e equidade.
Outrossim, consoante o educador Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Paralelamente, pode-se afirmar que a educação é a base da metamorfose social, sendo necessário e direito de todos ter acesso a ela, principalmente em meio a uma sociedade que só valoriza aquele que detém conhecimento.
Portanto, cabe a Secretaria Especial do Idoso garantir o cumprimento da lei que assegura o acesso devidamente apto à educação aos idosos por meio da distribuição gratuita de material adaptado - visto que a educação é o mecanismo mais efetivo de inclusão social - para que a população mais velha possa estudar com melhor qualidade. Também, é dever das universidades, orientadas pelo Ministério da Educação, reservar um quantia percentual de vagas a idosos - permitindo, dessa forma, o ingresso destes na faculdade com maior equidade - com a finalidade de reverter a visão do “velho inútil” discutida por Beauvoir.