Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 10/07/2020

Promulgada em 1988, a Constituição Federal brasileira garante a todos o direito à educação e ao bem-estar social. No entanto, nocivos entraves à inclusão do idoso no ensino superior impedem que essa parcela da população desfrute dos direitos previstos na Carta Magna. Logo, convém analisar as principais causas, consequências e uma possível medida visando ao enfrentamento do problema.

Deve-se pontuar, de início, que alguns dos empecílios à plena inserção de idosos em cursos superiores derivam da escassa atuação dos órgãos competentes, para com o fomento à captação dos mesmos pelo mercado de trabalho. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar da população, entretanto isso não ocorre no Brasil. Devido à ausência de políticas públicas eficazes, a preferência das empresas privadas por profissionais mais jovens desestimula a busca por formação acadêmica pelas faixas etárias mais elevadas, o que impede a aquisição de autonomia e sobrecarrega a própria economia com encargos previdenciários.

Ademais, faz-se mister ressaltar o preconceito da população no que tange à recepção de idosos no ensino superior, como um promotor do problema. Consoante o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, na sociedade contemporânea, emergem o individualismo, a fluidez e a efemeridade das relações humanas. Partindo desse pressuposto, percebe-se um preocupante descaso do próprio corpo discente em acolher e orientar o egresso de idade avançada, contribuindo, assim, para a baixa adaptação do mesmo a esse novo ambiente e, consequentemente, corroborando com a elevação das taxas de abandono.

Dessarte, a fim de atenuar as barreiras à inserção de idosos nos centros de ensino superior, necessita-se que o Ministério do Trabalho, promova o fomento à introdução dos mesmos no mercado de trabalho, por meio de incentivos fiscais e contratos flexíveis direcionados às empresas que absorverem essa mão-de-obra. Espera-se, com isso, estimular a busca por qualificação profissional e um maior índice ingresso dos idosos nas universidades, promovendo melhorias na qualidade de vida dessa significativa parcela da sociedade brasileira.