Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 16/07/2020

O conceito moderno de universidade surgiu na Ásia durante o século V, a Universidade de Nalanda, na Índia. Comandada por budistas, tinham como preceito básico a extensa vivência como fator fundamental para o desenvolvimento da sabedoria. Contudo, atualmente, a sociedade moderna baseada em uma mentalidade produtiva associada a juventude e a estigmatização do idoso e sua capacidade mental, tem marginalizado as camadas etárias mais velhas as afastando da educação de nível superior.

Em primeiro lugar, é imprescindível pontuar que as relações humanas após a Revolução Industrial estabeleceram a valorização da juventude como condição para o progresso. Por certo, isso ocorre devido a cultura consumista e  suas exigências para a alta produção. Conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, em seu livro Vida Para Consumo, deixamos de viver como produtores e passamos a uma organização social baseada puramente no consumo. Desse modo, as pessoas se tornaram elas próprias mercadorias descartáveis que com o tempo ficam obsoletas.

Secundariamente, é importante destacar que com os avanços tecnológicos na área da saúde e o aumento do desenvolvimento econômico brasileiro,  a expectativa de vida aumentou significativamente. Segundo levantamento do IBGE, a expectativa de vida das pessoas expandiu 41,7 anos em pouco mais de um século, enquanto a taxa de fecundidade vem caindo progressivamente. Nesse sentido, a tendência do país será de ser um “país idoso”, porém essa parcela é estigmatizada, sendo relacionada a incapacidade cognitiva. E como consequência são afastados da acadêmia.

Portanto, é imprescindível intervenção nesse cenário pelo poder legislativo por meio de um projeto de lei que estabeleça cotas de acesso nas instituições públicas de nível superior -em cursos de licenciatura- para a parcela mais velha da comunidade civil. Ademais, com o objetivo de fomentar relação intergeracional, durante a formação, será exigido o desenvolvimento de projetos pedagógicos desses alunos da graduação para o ensino básico. Com isso, talvez, a doutrina de Nalanda, retorne.