Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 14/07/2020
Embora a Constituição Federal de 1988 assegure o acesso à educação como direito de todos os cidadãos, percebe-se que, na atual realidade brasileira, não há o cumprimento dessa garantia, principalmente no que diz respeito à inclusão do idoso no Ensino Superior do país. Isso acontece devido às poucas vagas existentes destinadas a esse setor e a dificuldade da integração do idoso com o uso das tecnologias do meio acadêmico.
Em primeiro lugar, a ineficiência do Estado em aplicar leis que garantam o acesso pleno à educação
restringe a cidadania dos indivíduos, seja pela dificuldade em administrar recursos em um território de dimensões continentais, seja pela falta de interesse público em promover o desenvolvimento do acesso dos idosos no Ensino Superior. Dados oficiais do governo indicam que o crescimento do número de pessoas acima dos 60 anos aumentou 50% na última década, porém, em contrapartida, o número de vagas e de cursos de interesse da geração prateada não supriu essa demanda. Entretanto, possuindo o Brasil mais de 200 milhões de habitantes, as expectativas são pessimistas para os próximos anos caso não haja a intervenção necessária.
Ademais, a extrema dificuldade dos idosos com os aparelhos tecnológicos também vem dificultando a inserção e a permanência dos poucos que chegam ao Ensino Superior. Segundo uma pesquisa realizada pela Revista Fiocruz, a desarmonia em manusear os mecanismos dos quais dependem a maioria dos trabalhos, pesquisas e até mesmo aulas não presenciais no meio acadêmico são a principal fonte da desistência dessas pessoas, contribuindo expressivamente para a exclusão desse nicho das universidades. Assim sendo, é inadmissível que a problemática ainda persista no Brasil.
Dessa forma, pode-se perceber que o debate acerca da inclusão dos idosos no Ensino Superior é imprescindível para a construção de uma sociedade mais igualitária. Nessa lógica, é imperativo que o Ministério da Economia, aliado ao Ministério da Educação, destine verbas para o desenvolvimento de cursos que abranjam o interesse dos mais velhos, por meio da ampliação do número de vagas nas faculdades públicas e particulares, com o intuito de promover a ressocialização dessa parcela da sociedade. Além disso, é necessário que o Ministério da Educação em conjunto com as Universidades promovam a integração do idoso com as tecnologias do cotidiano acadêmico, por meio de aulas específicas para eles sobre como usar os aparelhos eletrônicos, a fim de diminuir o número de desistência das mentes prateadas nos cursos de Ensino Superior. Feito isso, a sociedade brasileira poderá caminhar para a completude da democracia no âmbito da educação e dos direitos sociais para todos os cidadãos.