Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 17/07/2020
No livro, “Ensaio sobre o Princípio da População”, o economista britânico, Thomas Malthus, argumenta que o crescimento populacional superaria a capacidade de produção de alimentos, gerando fome e miséria social. Ironicamente, o mito malthusiano foi refutado e o Brasil vem apresentando outro tipo de transição demográfica: um intenso envelhecimento populacional, fazendo daqueles com 60 anos ou mais, maioria. Frente a esse novo dinamismo demográfico, os idosos vem sofrendo represálias sociais, das quais a “exclusão educacional” no ensino superior é marcante. Sem dúvidas, o preconceito enraizado e as escassas políticas sócio-educacionais são raízes do problema.
A priori é imperativo pontuar que o problema de integralizar o ensino superior na terceira idade esbarra no preconceito da sociedade. Desse modo, o pensamento de François Chateaubriand que diz: “outrora, a velhice era uma dignidade; hoje, ela é um peso” é frequente no imaginário social brasileiro, vista como disfuncional e incapaz de aprendizado. Contudo, esse pensamento não representa uma velhice sadia, cuja funcionalidade e capacidade de aprender extrapola a “cronologia dos anos”. Assim, tal “ilógica” distorcida e preconceituosa impede a ressocialização dos idosos no ensino superior, ferindo seu direito à educação e impedindo a consolidação de novos saberes.
Outrossim, as políticas sócio-educacionais escassas destinadas aos idosos problematizam, ainda mais, a assistência ao ensino superior. Isso porque, notadamente as políticas públicas não priorizam esse segmento demográfico no que tange a educação superior. Basta ver a ausência de instituições de nível superior que atendam especificamente as peculiaridades dos idosos, desde o acesso até as adaptações estruturais e didáticas do ensino, ausentes nestes espaços educativos.
Logo, são necessárias ações para garantir a inclusão do idoso no ensino superior. Deste modo, cabe ao Governo, desenvolver campanhas de combate ao preconceito utilizando os diversos canais de comunicação (redes virtuais, televisão, rádio) garantindo a conscientização social da importância dos idosos na sociedade e “apagar” o imaginário de velhice disfuncional e decrepita. Ainda, é dever do Estado, promover a criação de um programa á nível federal, que garanta um percentual de vagas no ensino superior a terceira idade, oportunizando este segmento. Finalmente, o Ministério da Educação deve implantar projetos de re-estrutuçaão das universidades e formação continuada dos docentes a fim de adequar-se as peculiaridades dos idosos.