Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 23/07/2020
O livro “Admirável mundo novo”, escrito por Aldous Huxley, narra uma comunidade regida pelo processo de selecionismo social e pelos mecanismos de trabalho, a qual os idosos estão intrinsecamente inseridos, dado que o governo evita a qualquer custo a nulidade social naquele estado. Voltando-se da ficção, é cognoscível que, na contemporaneidade, as relações societárias estão cada vez mais inserindo os idosos nas práticas tecnológicas e na educação superior, entretanto, pode-se afirmar que essa inserção ainda acontece de modo desacelerado no Estado brasileiro, muito por causa do gama reduzido de idosos que têm acesso aos meios tecnológicos e devidos aos preconceitos vigentes na sociedade voltados a essa parcela populacional.
Vale ressaltar, de início, que, no Brasil, menos de um quarto dos idosos têm o acesso aos aparelhos eletrônicos. De acordo com um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), publicado em 2014, apenas 12,6% dos internautas são pessoas com mais de 60 anos e, aproximadamente, 82% dos idosos não apresentam o conhecimento tecnológico mínimo para utilizar esses dispositivos. À vista disso, é notório que existe uma falta de incentivo educacional para difundir o conhecimento tecnológico entre esse grupo, que, em compêndio, é um fator limitante para subsumir os idosos no ciclo acadêmico e para inseri-los no mercado de trabalho moderno. Logo, faz-se necessário a discussão profícua para minorar tais imbróglios no país, pois, conforme Edward Teller, físico americano, " a ciência de hoje é a tecnologia de amanhã."
Em segundo plano, nota-se que ainda existe uma ampla exclusão por parte da sociedade para com os idosos. Nesse viés, o professor de desenvolvimento humano da Universidade de Cornell, Karl Pillemer aponta os estereótipos voltados a esses grupos como o principal problema para incluir essa parcela populacional na modernidade, uma vez que fomenta o ideário da população de que os idosos não têm validade. Nesse espectro, é compreensível que esses prejulgamentos na comunidade para com essa cota populacional é um fator que reduz os índices de idosos que ingressam nas universidades brasileiras, visto que esses preconceitos já estão difundidos há anos em todo território nacional.
Em suma, medidas são essenciais para mitigar tais desafios no Estado brasileiro. Primordialmente, o Ministério da Educação deve criar um projeto educacional nacional que vise abranger todos os centros de idosos brasileiros, a qual a finalidade é realizar palestras e minicursos com educadores e sociólogos, cujo objetivo é informar acerca da importância da participação dos idosos na sociedade moderna e promover o conhecimento a respeito do uso de tecnologias. Sendo assim, ações desse tipo reduziriam o preconceito e favoreciam a inserção dos idosos nas universidades brasileiras.