Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 02/08/2020

O filme “O Estagiário” retrata a vida de Ben, um executivo aposentado de cerca de 70 anos que descobre um programa de estágio voltado para a terceira idade e se torna estagiário sênior de um site de moda. Saindo da ficção, nota-se que o Brasil enfrenta desafios para a inclusão do idoso em diversas esferas sociais e, principalmente, no ensino superior. Dessa forma, é necessário debater as motivações da problemática,

É fundamental, de início, salientar que o preconceito vigente é o principal obstáculo para a inclusão dessa parcela da população. Isso, porque os acadêmicos das instituições de ensino superior são, em geral, mais novos e excluem a população envelhecida das atividades pedagógicas devido à dificuldade que elas têm com o uso dos meios tecnológicos e com as outras áreas. Como já afirmava o sociólogo Pierre Bordieu, existe uma naturalização de dogmas e ideologias impostos por uma cultura dominante e uma rejeição a tudo aquilo que se difere dessa cultura. Logo, pode-se afirmar que o preconceito existente com a inclusão dos idosos no ensino superior é devido à cultura de que só pessoas mais novas podem estar no meio acadêmico.

Analisa-se, também, que as consequências da não inclusão dos idosos no ensino superior está ligada diretamente à qualidade de vida dessa parte da sociedade. Isso acontece porque, de acordo com o IBGE, em 2025 os idosos serão 33,8 milhões dos brasileiro, e, em 2055, a participação de idosos na população total será maior que a de crianças e jovens com até 29 anos. Assim, o crescimento da população idosa é razão de dependência total, então é essencial que esses indivíduos contribuam com a sociedade e possuam bem estar físico, psicológico, mental e emocional.

Portanto, conclui-se que ações para resolver tal problema são essenciais. Desse modo, é importante que o Ministério da Educação, por sua função de formação da sociedade, crie mecanismo de inserção da 3º geração no meio educacional, por meio da elaboração de programas que incentivem a entrada dessas pessoas no ensino superior, e também realize palestras para a conscientização dos estudantes mais jovens à respeito da inclusão dos idosos. A fim de que, aos poucos, esse preconceito não exista mais. Desse jeito, cenas como a de “O Estagiário” não serão apenas ficção.