Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 06/08/2020

A necessidade de renovação constante da mão de obra, típica da sociedade capitalista industrial, tem gerado consequências perversas para certa parcela da população, que não consegue se adequar às novas exigências do mercado. Esse setor social é composto majoritariamente por idosos, os quais já não têm condições de exercer trabalhos braçais em razão das limitações físicas da idade. Frente a essa situação, o ensino superior, cujas atividades são voltadas principalmente ao universo intelectual, aparece como uma opção. Faz-se necessário, por isso, analisar os empecilhos, tanto a nível individual quanto social, para que ocorra a integração da população mais velha nesse âmbito.

É importante realçar, em primeiro plano, que os idosos que buscam cursar o ensino superior podem ter objetivos diferentes. Existe uma fração que almeja uma ocupação simplesmente como forma de realização pessoal, enquanto outra parte tenta se reinserir no mercado, devido a condições econômicas desfavoráveis. Para todas essas parcelas, a inclusão no sistema de ensino é muito difícil, visto que exige tempo, esforço e até dinheiro. Nesse sentido, o filósofo Yuval Harari afirma que a habilidade de readaptação, quando imposta sobre o indivíduo (como no caso das pessoas que querem voltar à universidade por necessidade), pode levar à exaustão física e mental.

Além disso, o sistema de acesso ao ensino superior é inviável para a população mais velha, que teria que voltar a estudar conteúdos há muito esquecidos.. É verdade que têm sido aprovados projetos visando uma universidade mais aberta, porém eles mostram-se limitados, seja pela falta de divulgação, seja pela não priorização dessa pauta. Culturalmente, isso se relaciona ao descaso em relação aos mais velhos: eles são enxergados apenas em termos econômicos, são “pessoas que geram despesas”. De acordo com o sociólogo Ricardo Antunes, isso se relaciona com a lógica capitalista de mercantilização da vida social, colocando o lucro acima das vidas humanas.

Infere-se, portanto, que são grandes os desafios a serem superados para que haja uma democratização do ensino superior, principalmente no que tange aos idosos. Desse modo, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, em parceria com o Ministério da Educação, incentivar o ingresso das pessoas mais velhas nas universidades públicas. Isso deve ser feito através de uma política de ampliação da concessão de bolsas de estudo. Para que alcance um maior público, tal programa deve ser bastante divulgado por todas as mídias sociais. Mesmo constituindo uma massa heterogênea, é esperado que todos os idosos se beneficiem desse projeto. Assim, serão criadas as bases para a formação de uma sociedade que trate melhor sua população mais velha.