Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 31/07/2020

A poetisa brasileira Cora Coralina, embora tenha começado a escrever seus poemas na adolescência, publicou seu primeiro livro apenas aos 76 anos, alcançando reconhecimento nacional. De maneira análoga, diante do progressivo crescimento da população idosa no país, aliado ao aumento da expectativa de vida, muitos indivíduos da terceira idade têm voltado a estudar, sobretudo, em cursos superiores, No entanto, o Brasil possui inúmero desafios para a inclusão dessa faixa etária nas universidades, dentre eles, o preconceito dos próprios familiares, bem como a precária estrutura administrativa e educacional para lidar com esse grupo.

É válido ressaltar, primeiramente, que os idosos são o grupo que mais sofre com o preconceito dos familiares, quando o assunto é voltar a estudar. Isso ocorre, pois, no senso comum, a velhice é associada, muitas vezes, à doença, à fraqueza e à morte. Com isso, a sociedade tende a tratá-los como inúteis, subestimando suas capacidades intelectuais. No entanto, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2017, a população idosa já havia chegado aos 26 milhões de pessoas e a expectativa é que, em 2027, tenha aumentado em 12 milhões. Esse contexto mostra que essa parcela da sociedade tem crescido cada vez mais e a sua inclusão no ambiente acadêmico é essencial para que continuem contribuindo ativamente não apenas para o país, mas também para eles mesmos.

Ademais, outro desafio com relação ao ingresso dos idosos no ensino superior é a precária estrutura administrativa e educacional de grande parte das universidades. Conforme o artigo 3º, do Estatuto do Idoso, o Estado deve garantir, a qualquer cidadão maior ou igual a 60 anos, o direito à educação. No entanto, devido às limitações físicas adquiridas pela idade, não apenas o acesso é necessário, mas também a qualidade desse. Dessa forma, recursos direcionados à terceira idade, como a disponibilidade de cursos online, materiais com fontes adaptadas à vista desse indivíduo, entre outros, por exemplo, são essenciais para a inclusão plena desses no ensino superior.

São necessárias, portanto, medidas que modifiquem essa realidade. Para isso, o Ministério da Educação, juntamente com o Estatuto do Idoso, adequarão as instituições de curso superior às necessidades dessa faixa etária, por meio de uma lista, a qual as universidades terão o prazo de 10 anos para se adequarem totalmente. Essa lista terá todas as ações que os reitores deverão realizar nas instituições, a fim de que o idoso seja mais valorizado e possar seguir seus sonhos, assim como Cora Coralina.