Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 03/08/2020

A educação para pessoas acima de 60 anos é um direito assegurado pelo capítulo 5 do Estatuto do Idoso, embora, mesmo o Brasil sendo um país com cada vez mais idosos, ainda são poucos, embora crescentes, aqueles matriculados em instituições de ensino superior. Diante disso, a superação do estigma da terceira idade como um período final da vida e a adequação do ensino à essa faixa etária são os principais empecilhos a serem superados para a inclusão da terceira idade no ensino superior.

Em primeira análise, a época posterior aos 60 anos ainda é tida como uma fase de descanso, repouso e à espera da morte, atribuindo a esse período um caráter melancólico. Segundo a frase do escritor francês François Chateaubriand, ´´Outrora, a velhice era uma dignidade; hoje, ela é um peso´´, sintetiza o pensamento social acerca da situação dos idosos como um fardo a ser carregado, fato que, de tão repetido, começa a ser encarado dessa maneira pelos próprios. Assim, o ensino superior, tido como algo para a juventude, é uma prática pouco incentivada para os idosos, pois, a educação, cada vez mais atrelada à tecnologia, domínio que poucos têm, em conjunto à perspectiva negativista sobre a terceira idade, constituem grandes desafios à inserção do maior de 60 anos em universidades.

Em segunda análise, a educação está em constante evolução, enquanto os idosos ainda estão acostumados com uma perspectiva de aprendizagem mais rígida, hoje considerada ultrapassada. De acordo com o sociólogo Augusto Comte, idealizador do Positivismo, o qual, no âmbito educacional prega um ensino distante entre professores e alunos e considerando a turma como homogênea,  vem sendo substituído por uma aprendizagem mais lúdica e heterogênea.  Dessa maneira, com a inserção de um modo de ensino mais diversificado e compartilhado, além da inserção da tecnologia como principal ferramenta de estudo nas instituições educacionais, prejudicam a quantidade de idosos universitários, não acostumados com essa nova realidade contemporânea.

À vista disso, urge a ação do Ministério da Cidadania, o qual, por meio de debates com psicólogos, médicos geriatras, familiares e os próprios idosos, promoveria debates e rodas de conversa sobre como reduzir o pensamento melancólico atribuído à terceira idade. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, em atividade conjunta com a reitoria das universidades, a criação de um mecanismo de tutoria para pessoas acima de 60 anos, os quais, com a ajuda de colegas da turma, seriam auxiliados sobre o uso tecnológico e novos métodos de ensino, objetivando, maior inserção de idosos no ensino superior.