Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 02/08/2020
O filme “O Estagiário”, mostra a trajetória de Ben, um senhor viúvo e aposentado, que, cansado da monotonia de sua vida , bisca se reintegrar a sociedade ativa por meio de um trabalho. Essa obra cinematográfica expõe o quão importante é para um idoso manter as atividades fisicas e mentais a fim de garantir o seu bem-estar. No entanto, enfrenta-se desafios nainclusão dos sêniores em atividades com esse objetivo, como o ingresso no ensino superior, visto que vigora o não incentivo Estatal e o preconceito social sobre essa faixa etária.
Cabe analisar, inicialmente, o parco incentivo do Estado para incluir o idoso no ensino superior como um desafio para atingir essa proposta. Esse fato persiste apesar de ser sancionado por lei, no Estatuto do Idoso, o dever do Governo no apoio a criação deuniversidades abertas aos anciãos, ou seja, é um encargo das instituições de ensino superior ofertar a esses indivíduos o acesso a cursos e programas de extensão. Isso porque, de acordo com Paulo Freire, se presa na sociedade atual a “educação bamcária”, depositadora de conhecimento, que forme não indiv´duos críticos, mas sim pessosas alienáveis para manter o sistema de produção. Nesse sentido, percebe-se que lecionar para idosos por não ser aparentemente rentável economicamente é um direito escantiado pelo Estado.
Além disso, o preconceito social sobre os idosos também é um desafio para inclui-los no ensino superior. Isso é explicado pela ideia preconcebida de que os sêniores, depois de aposentados, não devem ou precisam fazer parte da sociedade de modo ativo, isto é, trabalhar e aprender. Tal situação, segundo Pierre Bourdieu, perdura devido ao “Habitus”, ideologias que por terem caráter anterior e exterior ao indivíduo são impostas como regras sociais. Assim, um exemplo é o ciclo linear da vida: estudar enquanto infante, trabalhar quando adulto e “descansar” apenas quando for idoso. Entretanto, quebrar essa lógica é imprescindível para manter a ordem economica, uma vez que, conforme o IBGE, o Brasil em 2030 terá uma população majoritariamente idosa, o que significa que ser proeficiente na “melhor idade” é fundamental para evitar prejuisos à previdencia, por exemplo.
Diante desse contexto, é preciso que o Ministério da Educação priorise medidas que garantam a inclusão do idoso no ensino superior. Isso por meio da criação de uma conta no vestibular para os sêniores e também por intermédio de propagandas, em canais de TV aberta, que exponhão esse benefício e os prós de igressar na universidade enquanto idoso. Desse modo, começaria a desconstruir o preconceito da sociedade sobre essa faixa etária e garantiria uma possível solução para evitar uma crise previdenciária. Dessa forma, ainda poderia influênciar beneficamente o bem-estar dos indivíduos na “melhor idade”, assim como ocorreu com o estagiário Ben no longa-metragem precitado.