Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 06/08/2020
Numa canção icônica, Caetano Veloso diz que “Narciso acha feio o que não é espelho”. Dialogando com a mitologia, o artista mostra que o ser humano rejeita aquilo em que não reconhece. A partir dessa percepção, observa-se que o idoso ainda é menosprezado na sociedade, principalmente quando o assunto envolve o retorno á educação. Portanto, é pertinente analisar os desafios da geração mais antiga para se inserir nesse meio, devido não só ao preconceito vigente da população, mas também a negligência governamental. Dessa forma, é perceptível a necessidade de mudar esse quadro.
Em primeiro lugar, é indispensável salientar que a geração mais antiga tem problemas com a sua inserção no ensino superior devido ao preconceito da sociedade que corrobora com a fomentação do impasse. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, a violência simbólica consiste na imposição da legitimidade de uma única cultura, desconsiderando e inferiorizando os segmentos diferentes. De maneira análoga, percebe-se que os estudantes das instituições de ensino superior são em sua maioria mais novos e acabam excluindo a população envelhecida, devido muitas vezes pela falta de identificação.
Em segundo lugar, a negligência governamental corrobora para a perpetuação do problema. Segundo o Artigo 25 do Estatuto do idoso, é dever da união apoiar a inclusão da geração mais velha. Tal fato, demonstra-se como uma grande incoerência,já que sucede pouco acesso à educação para os idosos, haja vista que os projetos educacionais brasileiros são mais voltados para os jovens. Logo, é preciso uma intervenção para que essa inaceitável questão seja modificada com o fito de alcançar a isonomia esperada pela sociedade.
Depreende-se, portanto, que medidas sejam tomadas para minimizar o quadro atual, visando uma menos desafios para a inclusão do idoso no ensino superior. Assim, urge que o Ministério da educação, em parceria com o Ministério da economia, invistam em um plano que vise a elucidar o problema, através de projetos educacionais e palestras, mediadas por psicólogos, objetivando a qualificação de uma sociedade que aceita mais a população idosa no ensino superior e aumente as campanhas de incentivo para a terceira idade. Somente assim, o cenário visto por Caetano Veloso não perdure e o problema será gradativamente erradicado da sociedade.