Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 31/07/2020

O filme da Disney “Up: Altas Aventuras” retrata a construção da mentalidade da sociedade baseada na marginalização e incompreensão da velhice, em que os indivíduos tem uma visão do idoso como uma pessoa de baixa capacidade intelectual. Não longe da ficção, a realidade brasileira atual caracteriza-se com a mesma problemática, visto que essa minoria é vítima de uma descriminação constante. Dessa forma, observa-se que a inclusão do idoso no ensino superior reflete um cenário desafiador, seja em virtude do preconceito sobre essa idade ou da banalização legislativa.

Em primeira análise, na sociedade capitalista hodierna, tem maior valor aquele trabalhador que produz de modo rápido e ágil, por conseguinte, o idoso é duramente considerado incapaz de ingressar no ensino superior devido à capacidade física limitada. Nesse sentido, a escritora brasileira Carolina Maria de Jesus ao afirmar que “tenho a impressão que sou um objeto fora de uso, digno de estar num quarto de despejo”, reflete a vivência da população da terceira idade brasileira. Nesse contexto, a falta de apoio da sociedade e dos familiares desestimula o idoso que sonha em cursar uma faculdade, prejudicando potencialmente sua saúde mental.

Em segunda análise, outra dificuldade encontrada é a questão da banalização legislativa. Visto que, segundo o artigo 205 da Constituição Federal de 1988, a educação é direito de todos e dever do estado. Porém, em relação aos idosos esse direito não é fornecido mesmo com o crescimento expressivo desse grupo no contexto populacional brasileiro, a preocupação do estado é o maior lucro com a formação dos mais jovens.

Portanto, medidas estratégicas são necessárias para mudar o cenário dos idosos no ensino superior atual. Para tanto, o Ministério da Educação deve criar cotas para as pessoas da terceira idade ingressarem no ensino superior publico, de modo que 20% das vagas de todos os cursos sejam destinadas aos idosos, a fim de que a possibilidade do ingresso em uma faculdade seja democrático. Ademais, é necessário um maior investimento nas escolas responsáveis pela formação de jovens e adultos (EJA).