Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 05/08/2020
Entre as várias conquistas do século XX para a população idosa, certamente uma das mais notórias foi a construção de Universidades da Terceira Idade, com origem em Toulouse, na França, na década de 70. Numa perspectiva de educação continuada, tornou acessível o universo do saber à população idosa. Todavia, apesar de ser um local de investigação, sistematização e transmissão de conhecimento, padece de preconceitos inclusivos, assim como de escassos investimentos governamentais que assegurem o acesso a esses espaços educacionais.
Nesse sentido, assegurado por Lei, o idoso é livre para desenvolver habilidades físicas, mentais e sociais em condições de liberdade e dignidade, de acordo, com o artigo 2º do Estatuto do Idoso. Nessa perspectiva, a sociedade atual, principalmente os jovens, ainda possui raízes preconceituosas, construídas ao longo do tempo, em torno da velhice e sobre seu acesso ao Ensino Superior. Um centro educacional, que deveria ser um ambiente facilitador e transformador, de incentivo à produção do saber, socialização e respeito às diferenças. Tais locais, por vezes, possuem alta parcela de jovens arrogantes e destituídos de cultura, que ao lançarem olhares e frases de discriminação, consequentemente irão repelir os idosos desses meios, colaborando para o aumento de injustiças e desigualdades.
Paralelo a isso, no Brasil, a construção de Universidades para a Terceira Idade iniciou em 1990, e atualmente conta com aproximadamente 160 programas assemelhados, segundo o Ministério da Educação. Porém, esse número é relativamente pequeno, dado ao crescente quantitativo de indivíduos acima dos 60 anos. Isto é, apesar da implantação de leis que obrigam a criação de cursos e programas inclusivos, o governo pouco tem feito para incentivar e divulgar esses locais. Tais fatores, deixam em evidência o descaso com essa população, e viola a Lei 12.965/14, que garante ao ser humano o acesso à informação, ao conhecimento e à participação na vida cultural e social.
Portanto, para a inclusão dos cidadãos longevos é necessário que a família e a escola, a começar na infância, busquem, em conjunto, uma educação mais inclusiva e tolerante. Isso pode ser feito, mediante visitas às casas de repouso para idosos, além do diálogo e campanhas pedagógicas que conscientizem os mais jovens, e aumente a percepção de todos sobre os direitos afiançados à terceira idade. Além do mais, é imperativo que o Estado conceda mais espaços universitários em diferentes localidades, e em companhia da mídia e das redes sociais, ampliem a publicidade acerca da existência dessas Instituições de Ensino, com propagandas e ações sociais nos bairros da periferia. Para que, dessa forma, construa-se um novo olhar acerca do envelhecimento, da qualidade de vida e da seguridade do idoso em nosso país.