Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 07/08/2020
“Ser ou não ser? Eis a questão”. Essa sentença shakespeareana remete à dubiedade do pensamento do personagem Hamlet entre as opiniões terceirizadas e o que ele próprio percebe de si. Assim, fora do tablado ficcional, hodiernamente, a população idosa muitas vezes se encontra em um duplo “caminho” nas execuções das aspirações individuais, como a ingressão no ensino superior. Essa dificuldade ocorre devido a “estereotipação” do público de terceira idade, além dos limitados benefícios de inserção nas universidade de pessoas com mais de 60 anos (60+).
Em primeiro lugar, Segundo o filósofo Frantz Fanon, no contexto do racismo estrutural, as minorias são somente a negação do padrão. Dessa forma, analogamente, desencadeia-se atualmente o enquadramento das características determinantes a respectiva faixa etária. Ou seja, acontece o processo de modulação das ações, o que limita a acionabilidade do indivíduo, especialmente a população idosa. Assim sendo, o ambiente universitário, onde o jovem é predominante, torna-se “palco” para o preconceito e para a heterogeneidade das relações sociais e o rompimento da sociabilidade. Consequentemente, ocorre um impedimento de fator social perante o grupo de terceira idade em ambientes de ensino.
Ademais, as limitadas bonificações de ingressão é um elemento significativo para ocorrência de poucas matrículas de pessoas com mais de 60 anos em instituições de ensino. Segundo o Ministério da Educação, a idade média dos estudantes nas universidade no Brasil é de 26 anos. Assim, essas cotas tornam-se ainda mais urgentes devido ao envelhecimento populacional mundial, além da discrepância, em muitos casos, na disputa intelectual com a população mais jovem. Esse delta da capacidade cognitiva é originado do desgaste e morte de algumas células neurais, natural ao longo dos anos de vida de uma pessoa. Como resultado, há a “oligarquilação” do ensino superior e o esfacelamento da democracia.
Portanto, torna-se imprescindível a criação de medidas que favoreçam a inclusão do idoso no ensino superior. Dessa maneira, a mídia, como veículo de informação em massa, deve conscientizar a sociedade, por meio de reportagens que têm a pessoa idosa no lugar de fala. Essa ação visa o incentivo à população de terceira idade a se inserir em meios ditos joviais, objetivando a promoção dos direitos individuais, entre estes o da educação. Além disso, o Estado deve impulsionar a ingressão do grupo 60+ em universidades, por meio da criação de leis que favoreçam esse grupo. Isto é, o estabelecimento de cotas nas vagas ofertadas e bonificação percentual na nota do vestibular, tendo em vista a democratização do ensino e a equidade dos cidadãos.