Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 06/08/2020

De acordo com o IBGE( Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil, em 2030, terá uma porcentagem populacional idosa superior à população de crianças. Nesse sentido, com a participação substancial de idosos na pirâmide etária brasileira, o país deve integrar essa população na economia, por meio, sobretudo, das universidades. No entanto, há diversos obstáculos que impedem a efetivação dessa inclusão dos mais velhos no ensino superior, a saber, a inação do Estado e a lógica da inutilidade da população de idade mais avançada, que vigora na mentalidade brasileira, baseada na reificação.

Em primeiro lugar, é crucial destacar que frente à mudança do perfil etário no Brasil, o Estado se mostra inerte, pois não contempla essa fatia populacional a qual cresce de maneira célere e que, cada vez mais, necessita de acesso ao ensino superior. Segundo o filósofo Hegel, a sociedade é um acúmulo de contradições, de tal sorte que apenas o Estado é síntese para essa dialética. Nessa lógica, a entidade pública é o principal fator de mudança, visto que é o único elemento capaz de mobilizar forças para a inclusão dessa população envelhecida no corpo discente universitário.

Ademais, é imperioso relevar a lógica da inutilidade do corpo mais velho na mentalidade brasileira, que estabelece o idoso como um inválido que deve fruir da aposentadoria. De acordo com o filósofo alemão Karl Marx, a reificação é uma forma de suprimir as subjetividades, no sistema capitalista, e diminuir o ser humano a relés objeto de auferir lucros. Dessa perspectiva rebenta a ideia de invalidez dos idosos, posto que o valor do corpo humano, na sociedade capitalista, é dado pela sua capacidade de ser instrumento de trabalho e as pessoas de idade mais avançadas são, naturalmente, mais limitadas fisicamente. Logo, a população idosa é preterida, por ser considerada ultrapassada, e tem seu direito de ingresso ao ensino superior, especialização para o mercado de trabalho, tolhido.

Depreende-se, portanto, que os principais estorvos ao ingresso dos idosos no ensino superior são a inercia do Estado e a mentalidade que inutiliza esse grupo. Visto isso, é fulcral mudar esses paradigmas. Para tanto, é essencial que o Estado crie formas de acesso ao ensino superior para os mais velho. Isso será concretizado pelo poder executivo, que criará sistemas de vestibulares exclusivos para idosos, e fará, em conjunto com o Ministério da Cidadania, propagandas que ressaltem o valor desse segmento social para além dos atributos físicos. Essa proposta tenciona integrar os idosos à universidade e com isso assegurar, logicamente, a plena cidadania a essa fração da população. Feito isso, os idosos não terão seu valor ancorado no vigor físico e poderão, inexoravelmente, fruir dos seus direitos.