Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 03/08/2020
Na civilização ateniense, a fonte de conhecimento encontrava-se nos anciões, cidadãos idosos respeitados, que repassam suas vastas experiências de vida para a sociedade, favorecendo o seu progresso. Apesar dessa importância cultural antiga, nos dias atuais, o grupo de “anciões” brasileiros enfrentam constantemente diversos desafios, principalmente o da inclusão nos mais diversos ramos sociais, dentre eles, o do ensino superior, que devido sua base de funcionamento, desfavorece a entrada dos idosos nesse meio.
Em primeira análise, o idoso é padronizado na sociedade brasileira como inválido ou incapaz de exercer atividades cotidianas. Apesar desse paradigma, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP), sessenta porcento dos idosos brasileiros pensam em fazer algum curso superior, além dos cinco porcento já matriculados. Nessa perspectiva, as universidades do País são carentes de formação para lidar com essa faixa etária, devido a redução da velocidade de compreensão em relação à turma, composta principalmente de jovens. Além disso, ainda há o preconceito ao idoso, caracterizado pela exclusão, no qual é encontrado frequentemente nas relações interpessoais jovem-idoso nas universidades do Brasil, que leva a desestimular a conclusão do curso.
Em segunda análise, de acordo com o Estatuto do Idoso, é dever governamental garantir a inclusão dos idosos no ensino superior. Apesar de alguns poucos acréscimos de atenção, o Governo brasileiro enfrenta a perspectiva do mercado de trabalho e usufruto do conhecimento adquirido nas universidades como principal desafio ao cumprimento dessa lei. Tal fato está presente na sociedade desde as Revoluções Industriais, no qual o padrão do trabalhador é o jovem, com força física suficiente para as duras jornadas diárias. Assim, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, tais visões idealizadas incorporam e padronizam a sociedade, excluindo o grupo externo a elas, neste caso, os idosos. Nesse caso, medidas precisam ser tomadas para garantir a cidadania desse grupo, acrescentando-o no plano de desenvolvimento do País, que, de acordo com a Organização das Nações Unidas, encontra-se em desenvolvimento, e isso traz como consequência a longevidade da população.
Portanto, a fim de reduzir os desafios para a inclusão do Idoso no ensino superior, é necessário que o Ministério da Educação crie o projeto do Padrão Nacional do Ensino ao Idoso (PNEI) e o aplique nas universidades do País, com o auxílio dos profissionais das instituições. Tal projeto recriará os modelos didáticos direcionados a esse grupo, facilitando o entendimento da melhor maneira didática possível. Além disso, o PNEI deverá criar ambientes de trabalho com empresas parceiras para o acolhimento desses “anciãos” no mercado de trabalho, favorecendo o fluxo contínuo de idosos no ensino superior.