Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 31/07/2020

Uma postura destituída de empatia perante o sofrimento alheio. Essa é a imagem presente  no quadro “O grito”, do pintor Edvard Munch, pois na elaboração  dessa arte expressionista, veem-se, ao fundo da tela, personagens que se mostram indiferentes à angústia evidenciada pela figura humana do plano central. Entretanto, essa cena não se limita ao âmbito artístico, já que as vítimas da falta de inclusão dos idosos no ensino superior vivem algo semelhante, tendo em vista que elas têm sido “esquecidas” por setores governamentais e sociais. Sob essa ótica, cabe analisar os aspectos políticos e culturais que envolvem essa questão no Brasil.

Primeiramente, pontua-se que o Poder Público mostra-se negligente ao não incluir o idoso no ensino superior. Isso porque há, por parte dos órgãos executivos, uma ineficiência quanto ao processo de investimento financeiro, uma vez que faltam verbas para melhor formar os professores que lecionem, de forma adequada, para os idosos, o que prejudica o direito à informação destes. Sendo assim, nota-se que o governo não tem garantido o bem-estar de todo o coletivo, evidenciando, dessa forma, a ausência de consolidação dos princípios fundamentais, alicerçados nos ideais iluministas do século XVII em prol da democracia.

Também, observa-se que o silenciamento social frente à falta de inclusão do idoso no ensino superior apresenta-se como fator agravador desse quadro negativo. Contudo, parte da população tem demonstrado certa inércia diante desse cenário, por acreditar que são majoritários os segmentos políticos contrários à fiscalização estatal, posto que falta inspecionar, com mais rigor, o desvio de verbas direcionadas a fabricação de livros acadêmicos, com uma linguagem mais simplista, que facilite a compreensão dos idosos, gerando, então o pouco ingresso de um público mais velho nas universidades. Recorrendo aos estudos da cientista política Elisabeth Noelle-Neumann para explicar esse fenômeno, constata-se que, para evitarem conflitos com grupos dominantes, alguns indivíduos tendem a fortalecer uma “espiral do silêncio”, permitindo, assim, a manutenção de alguns entraves.

Ressalta-se, portanto, que os idosos devem ser inclusos no ensino superior. Logo, é necessário exigir do Estado, via debates em audiências públicas, investimento financeiro, priorizando verbas, com o objetivo de uma profissionalização de professores para ensinar aos idosos. Ademais, é essencial estimular a população, por intermédio de campanhas midiáticas produzidas por organizações não governamentais, sobre a importância de haver o engajamento coletivo para a ruptura de discursos dominantes, potencializando, assim, a fiscalização das verbas escrever livros aptos a linguagem dos idosos. Dessa forma, a indiferença ao sofrimento alheio poderia ficar restrita à obra de Munch.