Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 03/08/2020
Segundo Clarice Lispector - escritora brasileira -, sem educação, os indivíduos se tornam “sonsos es-senciais ao sistema”. Dentro dessa perspectiva, nota-se a importância do papel educativo, em qualquer idade, para que o ser humano não se torne alguém manipulável e acrítico diante dos mais poderosos. Tal noção sofre desfalque quando o assunto é a graduação para idosos, pois há uma falta de incentivo, por parte da sociedade, além da própria insegurança, em relação aos estudos, sentida pelos mais velhos.
Em primeiro lugar, na minissérie “Segunda Chamada” - exibida pela TV Globo -, uma das persona-gens é uma senhora, acima de 60 anos, que volta a estudar, pelo projeto EJA - Ensino para Jovens e Adultos -, porém vai às aulas escondida do marido, pois ele não a apoia. Fora da ficção, a realidade de muitos idosos, que desejam fazer um curso superior, não se distancia dessa que foi retratada. Isso a-contece devido à imposição precoce, pela sociedade, aos mais velhos, de uma linha de pensamento que finda, culturalmente, as suas capacidades intelectuais e profissionais. Com isso, a classe idosa fica subentendida como estagnada - aposentada não só profissionalmente, mas, também, de novos conhe-cimentos. Assim, as pessoas passam a ver a velhice apenas como o fim da vida, como se não houvesse, ainda, novas possibilidades.
Em segundo lugar, no filme “Up”, o personagem Fredricksen é um viúvo, já velho, que embarca numa grande aventura, pois decide escapar da mudança para o asilo - a qual era contra a sua vontade. Tal ficção traz a representação do vigor, da autoconfiança e da independência existentes na velhice. Po-rém, fora da produção cinematográfica, muitos idosos perdem a força de vontade para conquistar objeti-vos, como, por exemplo, o diploma universitário. Isso ocorre porque eles duvidam de sua capacidade para disputar uma vaga nas universidades - em meio a tantos jovens -, pois sentem-se em desvanta-gem em relação aos seus concorrentes. Além disso, grande parte dos alunos da classe idosa se enver-gonha por estudar com pessoas bem mais novas, pois encaram isso como um atraso acadêmico.
Portanto, para incentivar a graduação de idosos e, assim, contribuir para a criticidade dos cidadãos, o Ministério da Educação precisa criar um projeto voltado para o ingresso dos mais velhos nas faculda-des. O qual contará com cursos de pré-vestibular gratuitos - online e presenciais - voltados, exclusiva-mente, para esse público. Outrossim, o MEC deve criar uma propaganda, exibida nos canais de TV a-berta, que mostre a vitalidade e a capacidade intelectual, presentes na classe idosa, e incentive a busca pelo curso superior por parte desta.