Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 06/08/2020
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) alerta, por meio de estudos, para o envelhecimento da população brasileira, que será de maioria idosa até o ano de 2060. Diante das estimativas, para garantir a qualidade da vida idosa, deve-se considerar a educação como uma estratégia de potencialização de suas capacidades. Logo, faz-se necessário o aperfeiçoamento de políticas públicas educacionais voltadas à terceira idade, assim como a superação de preconceitos.
A princípio, entende-se a educação como uma ferramenta de emancipação que contribui para a participação dos idosos como cidadãos produtivos e ativos na sociedade. Sendo assim, o Estatuto do Idoso no seu capítulo 5º aborda as garantias educacionais, em que as instituições de educação superior devem ofertar cursos de especialização voltados à terceira idade. Nesse cenário, felizmente há nos grandes centros urbanos o programa Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI), que oferece cursos e programas profissionalizantes aos idosos. No entanto, tais instituições não possuem grande adesão da sociedade, principalmente por falta de divulgação e incentivo social, o que atenta para a ineficiência das políticas públicas voltadas à terceira idade pois, na teoria, o acesso ao ensino superior deve ser democratizado para toda a população. Logo, os estados devem possibilitar o acesso pela população de baixa renda, assim como coletivizar o ensino e a informação.
Em segundo plano, há a manutenção de um estereótipo da velhice, associando-a ao estilo de vida pacato e improdutivo, não condizente com a realidade acadêmica. Porém, tal visão preconceituosa não reflete a realidade da população idosa pois, segundo dados de 2016 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, mais de 24 mil idosos estão matriculados em cursos de graduação. Nessa perspectiva, o ageísmo precisa ser combatido com políticas públicas inclusivas e universais para a população idosa, a fim de possibilitar o aumento da presença dessa parcela no ensino superior.
Fica claro, portanto, que o preconceito e a falta de estratégias estatais eficientes impedem o acesso de idosos ao ensino superior. Por isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, aperfeiçoe o mecanismo de inserção da terceira geração no meio educacional, mediante a democratização de informações sobre as Universidades Abertas à Terceira Idade, para que mais idosos possam reconhecer o direito de acesso à educação. Ademais, a fim de combater o preconceito, é necessário que o Governo Federal incentive os empregadores a contratarem idosos pela implantação de cotas nas empresas, com a isenção de alguns impostos, com a finalidade de tornar os idosos ativos no mercado de trabalho.