Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 01/08/2020
De acordo com a Constituição Brasileira de 1988, o acesso à educação é um direito que assiste todo cidadão. Entretanto, no que se refere à população idosa, essa ainda enfrenta dificuldades para ingressar no ensino superior. Entre os desafios com os quais esses cidadãos precisam lidar estão o preconceito e a falta de estrutura nas instituições educacionais para atendê-los.
A princípio, segundo a filósofa Hannah Arendt, em seus estudos sobre os regimes totalitários, o preconceito é um mal que exclui, isola e limita o conhecimento humano. Nesse prisma, é válido ressaltar que a discriminação com os idosos contribui para seu afastamento do ensino superior. Isso se manifesta à medida que, nos ambientes educacionais, as pessoas de maior idade acabam por ser alvos de esteriótipos, visto que costumam ser taxados de incapazes e inaptos, e também de exclusão pelos estudantes mais jovens. Assim, pode-se dizer que o preconceito contra o idoso é um fator que o desencoraja a estar nesses espaços.
Além disso, um outro desafio a ser enfrentado para proporcionar a inclusão da terceira idade no ensino superior consiste na falta de estrutura das instituições educacionais. Isso porque para que sejam proporcionadas condições adequadas de educação a essa faixa etária é necessário não somente fornecer a ela um ambiente adaptado, com corrimãos, rampas e elevadores, para dar acesso, mas também oferecer profissionais capacitados para lidar com esse público. Porém, nem todas as universidades brasileiras apresentam essa estrutura, contribuindo, dessa forma, para o pequeno número de indivíduos acima de 65 anos nesses espaços. Esse quadro pode ser ilustrado pelo Censo de Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, conforme o qual apenas 7813 pessoas da terceira idade estavam matriculadas num curso de graduação em 2017.
Logo, é preciso adortar medidas para mudar essa situação. Para isso, as instituições educacionais devem combater o preconceito contra o idoso, por meio da realização de debates e conversas que fomentem o respeito e a valorização da população mais velha, a fim de impedir a exclusão dessa faixa etária e acabar com os esteriótipos em torno desses indivíduos. Ademais, as universidades precisam atender às necessidades do idoso, por intermédio do oferecimento de uma estrutura adaptada e de profissionais capacitados para lidar com esse público. Tudo isso com o objetivo de democratizar o ensino superior no Brasil.