Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 02/08/2020

No livro " A hora da estrela", da escritora modernista Clarice Lispector, há uma frase que faz vista a análise da realidade enfrentada na sociedade,a qual diz " Nem se dava conta de que vivia numa sociedade técnica onde ela era um parafuso dispensável".Nessa perspectiva, percebe-se que a exclusão social que vitima a protagonista Macabéa também o faz com milhões de brasileiros, como os idosos em relação ao acesso a universidade. Isso acontece devido à negligência governamental em possibilitar a efetiva inclusão desse público ao ensino superior, bem como a ignorância social.

A priori, vale ressaltar que, como alude o pensamento do intelectual Paulo Freire, " se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda". Sob essa perspectiva, há preconceitos e exclusões com a população senil para ingressar no ensino superior por parcela da população, uma vez que trata a idade como fator limitante do aprendizado. Isso porque os indivíduos acabam por determinar que os idosos estão “desgastados” frente ao cenário social, o que torna uma barreira para estimular esses últimos ao ingresso nas faculdades como forma de se adaptar as novas vivências do ambiente em que vivem. Prova disso é que o índice de pessoas mais velhas que frequentam universidades é muito baixo, segundo o site G1.

Além disso, o governo tem papel fundamental em instigar os idosos a busca de uma formação docente, como a realização de um ensino superior.No entanto, o que ocorre é a falta de ações por parte do Estado para integrar essa parte da sociedade nesse âmbito. Essa conjuntura, de acordo com as ideias do contratualista John Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que tais cidadãos gozem de direitos imprescindíveis, no caso do acesso a educação, para a manutenção da igualdade entre os membros da sociedade, o qual expõe a população senil a uma condição de exclusão e desrespeito.Comprovação disso é o escasso engajamento de projetos governamentais que incentivem esse público ao ingresso nas faculdades, conforme exposto pela Folha de São Paulo.

Portanto, é fundamental que se reverta o “quadro” de exclusão e negligência a população idosa no ensino superior. Sendo assim, cabe ao governo direcionar palestras e projetos audiovisuais, feitos por profissionais especializados, por meio da mídia, que incentivem a população senil a um ingresso efetivo nas faculdades, a fim de incluí-los ainda mais nas vivências cotidianas e garantir os seus direitos. Ademais, a sociedade engajada, criar forúns nas redes sociais, mostrando a importância de inserir esse público nas universidades em busca de formar cada vez mais cidadãos capacitados em diversos setores da sociedade, no intuito de fomentar uma maior igualdade e condições a todos os indivíduos.