Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 07/08/2020

Na obra cinematográfica ‘‘Um senhor estagiário’’, Ben, um aposentado com cerca de 70 anos, sente–se desmotivado com sua rotina e decide recomeçar entrando em um programa para ser estagiário em uma startup. Fora da ficção, percebe–se que a adaptação em novos meios se configura como um desafio para a ‘’terceira idade’’, principalmente a sua inclusão na educação superior. Sob essa perspectiva, é válido discutir os principais obstáculos na sua efetivação, com o objetivo de propor medidas para mitigá–los.

Em primeira análise, é necessário pontuar que há uma escassez de políticas públicas que visem a integração dessa parcela no ensino superior. Embora exista uma Lei que determine a intervenção do Estado em ações para incluir os idosos em Universidades, é perceptível que não há, de fato, essa inclusão, afinal o censo realizado pelo MEC estima que a idade média dos estudantes matriculados é de 30 anos. Tal fato é um reflexo da omissão do poder público em cumprir o seu dever para com a população idosa. Por essa razão, o índice de doenças mentais, como depressão, cresce exponencialmente ao longo dos anos entre pessoas com mais de 60 anos, segundo o IBGE. Dessa forma, é preciso que haja tal abertura nos espaços acadêmicos, pois é uma forma de garantir o bem–estar dessa parcela da população.

Ademais, pontua–se a existência de um preconceito etário entre as gerações. Tal fato pode ser observado em um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), a qual ouviu cerca de 80 mil pessoas e constatou que 60% de entrevistados possuíam visão negativa sobre o envelhecimento. Além da negligência do Estado, o chamado ‘‘Ageísmo’’, que é uma intolerância devido à idade, cria um ambiente hostil e pouco receptivo para os idosos no ensino superior. Por esse motivo, a iniciativa de elaborar atividades e ações intergeracionais, as quais não devem limitar a participação dos idosos, é necessária. Essas práticas, além de oferecerem um aprendizado constante para os participantes, auxiliam a conscientizar os mais jovens da importância da ‘’terceira idade’’ como agente social e são um meio para combater a estereotipação vigente.

Portanto, nota–se que a inclusão de idosos no ensino superior brasileiro apresenta alguns obstáculos para seu desempenho. Sob esse viés, é imprescindível que o Ministério da Educação e as Secretarias de Educação dos Estados e Municípios criem projetos que facilitem a adaptação desse grupo às universidades públicas e privadas. Essa proposta deverá propiciar a abertura de mais vagas para idosos, assim como a adequação de uma carga horária conveniente, a fim de que seja atendida a demanda e de que possa haver uma permuta de conhecimentos entre as diferentes gerações.