Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 04/08/2020
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), adotada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1948, garante a todo cidadão o acesso à educação de qualidade e vida digna. Dessa forma, o ensino e o conhecimento deve ser estabelecido de forma homogênea e adequada para qualquer faixa etária. Todavia, o Brasil passa pelo fenômeno do envelhecimento populacional e, paralelo a isso, enfrenta desafios para a inclusão de idosos no ensino superior, tais como: o preconceito sênior, que leva à marginalização do idoso e a urgência de produtividade imersa na sociedade.
A priori, o âmbito social brasileiro é pautado de preconceitos e marginalizações advindos da época colonial, na qual a importância laboral era associada aos jovens que produziam de forma mais acelerada, sendo os idosos inutilizados. Nessa lógica, o filme americano “O Estagiário” aborda o preconceito que Ben, um idoso de 70 anos, sofre ao tentar e conseguir uma vaga de emprego em uma empresa de moda, tendo que lidar com piadas e exclusões no trabalho pela dificuldade de associar o antigo método de trabalho às novas tecnologias. Não distante da ficção, tal pensamento de inutilizar pessoas foi repassado e, nos dias atuais, é banalizado e natural, o que dificulta a visibilidade de pessoas mais velhas no meio social, o que faz com que os idosos, ao adentrarem no ensino superior, sejam excluídos e vítimas de um pensamento que os vê como retrógrados e ultrapassados, o que faz com que tenha um índice de desistência dessa faixa de idade nos cursos educacionais.
Além disso, o processo de globalização moldou a mentalidade das pessoas, uma vez que a prioridade é uma produção acelerada e instantânea. Assim, segundo a escritora Maria Rita Khel no livro “O tempo e o cão”, o corpo social baseia as relações seguindo padrões que intensificam o sentimento de urgência de produtividade, ou seja, o favoritismo é dado a quem produz de forma rápida e gera qualquer tipo de lucro. Dessa forma, como o idoso possui algumas limitações físicas - seja perda de audição ou dificuldade para enxergar - muitos profissionais não buscam adaptar as aulas para que se tornem acessíveis, tendo em vista que o idoso não deve mais buscar conhecimento por causa da idade.
Em vista disso, para reduzir os desafios na incusão de idosos no ensino superior, cabe ao Estado, em parceria com as mídias sociais e ONGs que cuidam de idosos, criar propagandas nas televisões e redes sociais que falem, de forma acessível a todas as idades, sobre direito do idoso na educação e de como se deve respeitar a escolha deles, visando a conscientização social e o fim da marginalização dessa idade. Somado a isso, o Ministério da Educação, ligado ao Estatuto do Idoso, deve promover aulas extracurriculares para alunos que estão em algum curso de bacharelado, sendo realizado com interação entre eles e idosos, a fim de buscar melhores formas de adaptação nas aulas.