Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 05/08/2020

Segundo o filósofo Paulo Freire, “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou sua construção”, ou seja, a educação proporciona o desenvolvimento de cidadãos críticos. Nesse viés, a inclusão do idoso no ensino superior é de extrema importância para que ele amplie sua visão de mundo e sua criticidade. Contudo, no Brasil, para que essa inclusão seja efetivada, os principais desafios que dificultam essa realidade devem ser superados: a dificuldade no uso da tecnologia e a falta de mecanismos de acessibilidade.

Em uma primeira abordagem, deve-se falar que, conforme dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), entre 2016 e 2017, houve um aumento de 27% do número de pessoas com mais de 65 anos matriculados na graduação a distância no Brasil. Nessa perspectiva, devido a flexibilidade de horários e ao baixo custo, características do ensino a distância (EAD), muitos idosos encontram nessa modalidade uma alternativa para se inserir em um curso superior. Contudo, diversas pessoas com mais de 60 anos não sabem acessar de forma autônoma o “mundo tecnológico”, o que prejudica o desenvolvimento deles nos cursos de graduação a distância. Nesse contexto, a dificuldade no uso da tecnologia interfere na inclusão dos idosos no ensino superior.

Em uma segunda análise, deve-se dizer que, de acordo com o Estatuto do Idoso, os idosos têm direito à educação, a qual respeite sua peculiar condição de idade. Nesse sentido, todas as universidades devem possibilitar o fácil acesso dos cidadãos com mais de 60 anos a todo o conteúdo disponibilizado para os alunos. Contudo, esse cenário não é uma realidade brasileira, pois diversas instituições de ensino não possuem materiais ou plataformas virtuais que proporcionem condições essenciais, como ampliação de textos e imagens, para assegurar a facilidade de uso pelos idosos. Dessa maneira, no Brasil, a falta de mecanismos de acessibilidade por parte das universidades dificulta a inclusão dos idosos nos cursos de graduação.

Portanto, a inclusão do idoso no ensino superior sofre com diversos desafios. Assim, é necessário que o Ministério da Educação, proporcione o efetivo desenvolvimento dos cidadãos com mais de 60 anos no EAD, por meio de cursos tecnológicos gratuitos realizados nas escolas, objetivando o uso da tecnologia de forma autônoma por esse grupo. Além disso, as universidades devem proporcionar uma educação que respeite as condições dos idosos, por intermédio de adaptações, como a ampliação de textos e imagens, dos matérias didáticos e das plataformas digitais, para que todos os cidadãos tenham acesso aos conteúdos fornecidos pela instituição. Dessa forma, os desafios para essa inclusão serão superados e, consequentemente, os idosos utilizarão a educação para estimular sua construção.