Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 03/08/2020
No poema “como se morre de velhice”,de Cecília Meireles,há uma crítica à sociedade quanto a sua indiferença com o idoso,sendo possível perceber um sentimento de angústia e incapacidade por parte do eu lírico.De forma análoga,essa percepção da autora se sustenta na atualidade,principalmente,na área de ensino superior,pois há desafios em incluir essa classe nesse ambiente.Desse modo,a desvalorização da velhice e a negligência do âmbito educacional com esse grupo agrava esse entrave.
A priori,a depreciação da imagem do idoso é um dos desafios para inclui-lo no ensino superior.Sob esse viés,há na atual realidade cultural uma condição de subsistência sobre estar em harmonia com o novo,de modo que o antigo não interesse,visto que quase tudo é descartável pela incessante novidade.Nesse contexto,a sociedade jovem deprecia a velhice,associando ela apenas à improdutividade,e isso reflete em incluir o idoso nas universidades,pois ele não é visto,como alguém que está apto ao estudo acadêmico e sim como um ser frágil que perdeu sua suposta juventude eterna junto a sua capacidade de aprendizado.Tal associação violenta à imagem dessa classe,pois,de acordo com o conceito de “violência simbólica”,de Bourdieu,atos violentos também podem ser vistos como agressão ao prestígio e ao reconhecimento.Logo,deve haver uma mudança cultural em relação a essa imagem negativa da velhice,visto que a educação dá ao grupo um envelhecimento ativo e perspicaz.
Além disso,a falta de projetos direcionados às necessidades específicas dos idosos no meio educacional corrobora no distanciamento desse grupo ao ensino superior.Sob essa ótica,segundo o Estatuto do Idoso,é dever do Estado assegurar a efetivação de direitos,como a educação,de modo que retire da cabeça do indivíduo que ele é um atraso à sociedade.Ou seja,o ensino superior configura-se uma importante estratégia de superação da marginalização frente a velhice,quando há criação de cursos direcionados à capacidade física e intelectual dessa classe,de forma que respalde,também, em conhecimentos e na sua interação com o mundo moderno.Assim,praticando seus direitos ativamente,o idoso pode interferir melhor na construção de políticas públicas e participar mais socialmente.
Portanto,para que a inclusão do idoso no ensino superior seja efetiva,cabe as Instituições Educacionais,desde o infantil, implementar no indivíduo a ideia do envelhecimento como algo bom e produtivo.Tudo isso por meio de palestras e aulas lúdicas sobre como essa classe é capaz de se inserir no ensino superior,com profissionais acadêmicos,desse grupo e além disso direcionar esse projeto também aos familiares,para que haja a ruptura da imagem negativa da velhice.Ademais,O ministério da Educação deve criar cursos livres que atenda as limitações dos idosos,por meio de uma reformulação dos programas educativos nas universidades,visando uma melhor inclusão deles no meio acadêmico.