Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 05/08/2020
Na Grécia Antiga, os cidadãos com mais de 60 anos eram os anciãos da sociedade. Eles eram grandemente respeitados por sua sabedoria e experiência de vida, sobretudo, quando se reuniam na Ágora para opinar e votar. No Brasil, o idoso tem seus direitos assegurados pela Constituição Federal e na Lei 10741/03 do Estatuto do idoso. No entanto, a inclusão do idoso no ensino superior é um desafio não só pela ausência de políticas públicas, mas também pelo preconceito que este grupo sofre .
Em primeira análise, é importante destacar a ausência de programas de inclusão no ensino superior, tanto em instituições públicas como privadas, voltados para os idosos. Embora, a educação seja um direito de todos com previsão no artigo 6º da Constituição Federal, na prática não funciona plenamente para o grupo da “melhor idade”, pois eles são destituídos de oportunidade de ingresso, exceto pela forma tradicional. # Esse quadro é exemplificado pelo Jornalista Gilberto Dimenstein em sua obra “Cidadania de Papel”, a qual diz que muitos brasileiros têm direitos apenas no papel. #
Ademais, é possível destacar o pensamento do renomado físico Albert Einstein, o qual diz que é mais fácil desintegrar a estrutura de um átomo que um preconceito. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), o chamado ageísmo (Discriminação etária) é o preconceito mais normalizado no mundo, como se fosse uma coisa natural. Nesse sentido, é inegável afirmar a existência de uma cultura de preconceito aos idosos no Brasil. De modo que, muitos senhores e senhoras da terceira idade são levados a acreditar que os espaços acadêmicos – de ciência, tecnologias e artes - são destinados apenas aos mais jovens ou às pessoas mais intelectuais. Assim, torna-se imperioso desconstruir e desmistificar tais pensamentos, a fim de os idosos tenham sentimento de pertencimento dentro da sociedade.
Diante do exposto, é notório que a inclusão do idoso ao ensino superior é um desafio a ser superado. Nessa ótica, o Congresso Nacional deve votar a criação de uma lei federal que crie cotas para idosos nas vagas das universidades públicas e privadas , de modo que estes possam ter acesso tanto por vestibulares tradicionais quanto pelo SISU. E, assim, garantir a possibilidade de cursarem uma faculdade. Além disso, a escola e a família devem ensinar as crianças e jovens a importância do respeito aos idosos e devem incentivá-los a voltar aos estudos mesmo em idade mais avançadas com o intuito de trazer deixa-los mais seguros e para que estes sintam-se mais valorizados e importantes na socied. Desse modo, o Brasil garantirá o sonho de estudar aos mais idosos e, também, o respeito e senso de pertencimento semelhantes àqueles vivenciados pelos anciãos da Antiga Grécia.