Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 07/08/2020
Segundo a filosofia de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, direitos e deveres. No entanto, observa-se que essa premissa não se aplica integralmente à sociedade brasileira, dado que diversos fatores impedem a inclusão do idoso no ensino superior. Dentre tais obstáculos, destacam-se a propagação de esteriótipos e o limitado acervo de materiais acessíveis para essa idade.
Cabe analisar, a princípio, que o “ideal” de idoso propagado pela mídia limita a atividade desse grupo na comunidade, visto que é vendida a imagem de pessoas inativas e incapazes de, por exemplo, ingressar nas universidades. Essa conjuntura obedece à lógica do que o sociólogo Michel Foucault chamou de “adestramento dos corpos”, em que grupos dominantes modelam os interesses e a personalidade dos indivíduos, a fim de alcançar um interesse próprio. Desse modo, ramos, como a indústria farmacêutica, que têm a terceira idade como principal público-alvo, transformam os idosos em um “corpo dócil”, com características que os prendem em um esteriótipo de cansando ou doente, e não como capazes de realizar um curso superior.
Em segunda análise, é evidente que, sem o desenvolvimento de materiais de estudo adaptados para essa faixa etária, não haverá uma inclusão efetiva. Isso ocorre porque esse público possui limitações físicas, como uma visão ou audição menos potentes, e temporais, já que as gerações atuais cresceram em contato com a tecnologia, enquanto que para os idosos isso ainda é novidade. Nesse sentido, essa situação fere a dignidade do cidadão que, de acordo com o filósofo Noberto Bobbio, é uma qualidade intrínseca ao homem, que lhe garante respeito pelo Estado. Dessa forma, sem adaptações, a tendência observada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de que a população idosa irá dobrar na próxima década, não poderá ser observada, também, nas salas de aula.
Portanto, a fim de superar tais desafios, é mister que o Ministério da Educação, aliado às emissoras televisivas, desconstrua o esteriótipo que foi colocado sobre o idoso. Para isso, deve ser criado um programa, a ser exibido em horário nobre, onde serão divulgados programas de extensão para terceira idade de cada universidade federal do país, e também ocorrerá a instrução sobre as múltiplas potencialidades da terceira idade, para que haja uma maior participação desse grupo no ensino superior. Além disso, o MEC também deve democratizar o acesso a materiais didáticos, por meio de um projeto de lei, a ser enviado para o Congresso Nacional, que torne obrigatório a produção de uma edição voltada para esse público, assim como a presença de profissionais nas universidades para instruir os idosos na utilização da tecnologia como método de estudo.