Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 03/08/2020
Segundo o geógrafo Milton Santos, na obra “Cidadania Mutilada”, a democracia só é efetivada quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, a medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadãos. No entanto, entre ouros fatores, essa máxima não é consumada no Brasil devido aos desafios para inclusão dos idosos no ensino superior, uma vez que a educação é um direito inerente à população garantido pela Constituição Cidadã de 1988. Assim, faz-se imperiosa uma análise dos fatores que mitigam a consolidação de uma sociedade democrática e equânime.
Com efeito, é elementar destacar o efeito do preconceito etário exercido na exclusão de idosos no ensino superior. Como defendido pelo sociólogo Pierre Bourdieu, o ser humano nasce em uma estrutura social que é exterior e anterior a ele, e inconscientemente esse irá incorporar hábitos e estigmas sociais partilhados pelo meio em que vive. Desse modo, essa perspectiva aplica-se no persistente quadro de preconceito etário no Brasil, que muitas vezes é reforçado pela indústria cinematográfica consumida pelos jovens. Assim, desde a infância, as pessoas crescem e alimentam estereótipos que idosos são debilitados e inválidos, colocando-os em diferentes camadas sociais. Tal pensamento dissemina-se também no âmbito educacional,uma vez que as gerações mais novas não associam a terceira idade ao ensino secundário e tendem a agir de maneira preconceituosa diante dessa realidade por meio de piadas ofensivas e brincadeiras desagradáveis, reforçando preconceitos.
Sob esse viés, ainda é válido ressaltar o papel desempenhado pela falta de preparo de universidades na inclusão da terceira idade na educação secundária, sendo esse, um do principais desafios para efetivação desse direito básico. Desde a grande Reforma Universitária realizada no segundo governo de Getúlio Vargas, as universidades foram planejadas para uso de jovens e adultos -o que corrobora para a tese do habitus de Bourdieu. Dessa forma, diversos mecanismos de adaptação para terceira idade não foram efetuados tendo como parâmetro a redução da capacidade visual e auditiva, diminuição da noção de espaço apresentados pelos idosos, e ,principalmente, a falta de profissionais adequados para lidar com eventuais preconceitos .
À luz dessas considerações, torna-se nítido a precariedade da sociedade para lidar com os desafios para inclusão de idosos no ensino superior. Sendo assim, cabe a sociedade o dever de se engajar socialmente em projetos sociais ofertados por instituições de ensino, de forma a incentivar a conscientização social a cerca desse cenário de exclusão gerado pelo preconceito. Tais projetos devem contar com a participação de profissionais psicólogos e pedagogos. Ademais, o Estado deve fianciar além desses projetos a capacitação técnica de universidades para lidar com o público da terceira idade.