Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 07/08/2020

A pintura renascentista “Escola de Atenas” do artista exímio Rafael Sanzio representa um espaço de pluralidades aberto a diferenças, por meio da retratação de grandes pensadores da Antiguidade dialogando entre si. Apesar do hiato temporal, a obra pode ser analisada como modelo a ser seguido, visto que, hodiernamente, ainda há desafios no que tange à inclusão do idoso no ensino superior devido, principalmente, ao pouco diálogo entre os indivíduos de significativas diferenças de idade. Dessa forma, faz-se necessário analisar o preconceito com esse público nas universidades e a insuficiência estatal ao incentivar a inclusão deles nesse meio.

A priori, é valido enfatizar como ainda há um preconceito enraizado na sociedade brasileira contemporânea com os idosos dentro do ensino superior. Isso porque, a maior parte dos alunos presentes nesse ambiente são um público relativamente jovem, com isso o idoso se encontra pouco incluído e representado, devido a esse preconceito que ainda persiste. Diante disso, cabe lembrar que, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico”, pois é composta por partes que interagem entre si. Entretanto, hodiernamente, o preconceito, que dificulta a  interação e a inclusão devida do idoso no ambiente universitário, impossibilita que a teoria supracitada seja aplicada na sociedade brasileira de forma coesa.

Outrossim, é imperativo pontuar como o governo brasileiro tem sido ineficiente ao minimizar os desafios relativos à inclusão da população idosa no ensino superior. Isso porque há pouco incentivo a esses indivíduos, principalmente no que tange ao ingresso em faculdades públicas, porém é fundamental que haja políticas promovidas especialmente para esse público que permita sua entrada. Desse modo, é importante lembrar que, promulgada pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos o direito à educação e ao bem-estar social. No entanto, não é isso que acontece na prática, visto que é papel do Estado garantir esses direitos essenciais, e os idosos, por sua idade longeva, não conseguem ingressar com muita facilidade no ensino superior, o que corrobora os desafios para sua inclusão devida nesse ambiente.

Depreende-se, portanto, a necessidade de aniquilar os desafios para a integração do idoso nas universidades. Primeiramente, o Estado, por meio do Ministério da Educação (MEC), deve minimizar as dificuldades do ingresso dessa população com o auxilio do sistema de cotas, que seriam aplicados sobre o Exame Nacional do Ensino Médio, com o intuído de diminuir as desigualdades e possibilitar maior inclusão. Segundamente, ainda o MEC deve implementar nos livros didáticos de Filosofia um plano de aula que permita debate e conscientize os alunos sobre a universidade ser um lugar de todos.