Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 06/08/2020

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 13% da população brasileira é composta por idosos. Nessa pespectiva, é indubitável a importância da inserção desse grupo em todos os âmbitos da sociedade, inclusive nas instituições de ensino superior, na garantia de seus direitos e no desenvolvimento de suas potencialidades. Entretanto, diversos desafios se fazem presentes no país, como o escasso estímulo governamental junto ao preconceito social.

A princípio, o Estatuto do Idoso garante a essa parcela da população o direito à educação. Nesse ínterim, é incontrovertível que, no Brasil, há pouco estímulo por parte das autoridades no que diz respeito ao acesso da terceira idade às universidades. Certamente, a ausência de campanhas governamentais que estimulem o envelhecimento ativo corrobora a pouca participação dos idosos no ensino superior. Além disso, esse escasso estímulo do Estado impacta também na carência de projetos e lesgilações, no tocante ao âmbito educacional, que atendam às necessidades específicas desse grupo, o que se traduz como mais uma desafio para sua inclusão. Dessarte, faz-se necessária a criação de políticas públicas que garantam a participação desses indivíduos nessa esfera da educação.

Ademais, segundo a teoria de “Zona de Desenvolvimento Proximal” do psicólogo Lev Vygotsky, a integração social se traduz como fonte de conhecimento, sendo a interação do indivíduo com o meio um potencializador de seu desenvolvimento intelectual. Nesse sentido, a integração do idoso no ensino superior se mostra como um meio de desenvolver e aprimorar as capacidades desse grupo. No entanto, o preconceito existente na sociedade a respeito da inserção dos idosos em todo o âmbito público caracteriza-se como um fator limitante e inercial para todo o país. De certo, esses atos excludentes impactam diretamente na autoestima do indivíduo idoso, o que o desestimula a adentrar nas universidades. Dessa forma, é irrefutável o impacto da intolerância social na vida da comunidade idosa, sendo esse fator um grande desafio para a inclusão dessa no ensino superior.

Em suma, medidas fazem-se necessárias no tocante à problemática. Urge, portanto, que o Estado crie um programa chamado “Unidoso”, que garanta e estimule a inclusão da comunidade idosa no ensino superior, mediante a campanhas nas mídias que demonstrem a importância do envelhecimento ativo e, junto à isso, é necessário que o Legislativo certifique o atendimento necessário aos idosos. Isso deve ser feito, por meio da implementação de uma lei que oriente os câmpus no atendimento às especificidades geradas pela idade, de modo a assegurar sua inclusão. Além disso, o Ministério da Educação deve criar campanhas de conscientização na sociedade, com a participação dos longevos, que desmistifique os preconceitos existentes, para garantir o apoio social a esses indivíduos.